Descubra o que especialistas da educação estão debatendo sobre a BNCC

 

Enquanto todos aguardam mais novidades sobre a implementação da BNCC para os Ensinos Infantil e Fundamental, alguns especialistas da educação já debatem suas próprias opiniões de caminhos possíveis sobre esse novo cenário.

Portanto, em paralelo às informações oficialmente divulgadas pelo MEC, também é importante que as escolas acompanhem o pensamento de educadores e líderes experientes do setor para entender melhor o que é possível esperar desse período tão transformador de reformas educacionais no Brasil.

Nesta quarta-feira, dia 14/03, alguns nomes importantes se reuniram no workshop: “O novo jogo da BNCC e a prática nas escolas”, sediado no escritório da Mind Lab do Brasil, contando com a presença de personalidades como Cesar Callegari, Presidente da Comissão de Elaboração da Base Nacional Comum Curricular, Sandra Garcia, Diretora Pedagógica da Mind Lab e Miguel Thompson, CEO do Instituto Singularidades.

Descubra alguns dos principais insights que eles trouxeram sobre a BNCC, incluindo suas reflexões sobre a realidade do ensino hoje e futuras possibilidades:

 

Cesar Callegari

Presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada – IBSA

Membro do Conselho Nacional de Educação

Presidente da Comissão de Elaboração da Base Nacional Comum Curricular

 

Cesar Callegari possui uma relevância de peso quando se trata de BNCC, pois é um dos atores que colaborou diretamente em sua formulação. Para entender melhor como se deu o processo ele explicou: “Nós recebemos esse documento do Conselho Nacional da Educação em Abril de 2017, fizemos 5 audiências públicas nacionais em diferentes regiões do Brasil e recebemos centenas de documentos e propostas vindas dos mais diferentes setores da sociedade. Com base em todo esse material foram elaboradas inclusive mudanças significativas a partir do que o MEC havia apresentado”.

Callegari ainda ressalta que o Ensino Médio, apesar de ter previsões de reformas, ainda não tem sua base construída. Por outro lado, defende a importância do foco na Educação Infantil no momento, já que a arquitetura do cérebro humano se constrói nos primeiros anos de vida, quando os alunos recebem influências que farão parte de toda a vida.

Além disso, ele explica a flexibilidade do documento, que abandona algumas pressões para um momento certo de aprendizagem, devido às múltiplas dimensões de desenvolvimento na infância.

Outro ponto muito defendido em seu discurso foi o de que a BNCC nunca estará totalmente concluída em respeito às autonomias das escolas e dos professores. Porém Callegari alerta para duas grandes vertentes que provavelmente acontecerão na prática:

  1. Uma Base que não pode ser considerada como um modelo único e portanto estará em constante transformação, de acordo as necessidades dos locais e contextos nos quais ela se aplica.
  2. A Base aplicada dentro de um cenário onde os materiais didáticos serão impressos e distribuídos em larga escala, de forma que é possível vê-la transformada em currículo pré-definido, apesar de que seu objetivo não é o de ser o currículo e sim norteá-lo.

A todo momento ele nos lembra sobre a disputa entre o real propósito da BNCC e as dificuldades de sua aplicação, considerando que o Ensino atual é muito mais rígido e pré- definido, deixando claro a oportunidade para que educadores se posicionem com uma visão crítica e criativa diante do processo já que: “Nós aprendemos quando criamos.”, diz ele.

Dessa forma Cesar Callegari defende o processo autoral e colaborativo como principal caminho de aplicação do documento.

 

Miguel Thompson

CEO do Instituto Singularidades

Foi Consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Nações (PNUD)

Como CEO do Instituto Singularidades, que é responsável pela formação de professores, gestores da educação e especialistas de ensino, Miguel Thompson trouxe para o debate uma visão mais aprofundada quanto à formação e atuação dos educadores no processo de inovação do ensino que estamos vivendo.

Ele explica o quanto as escolas ainda são muito influenciadas pelo conceito. “O ensino é um modelo muito enciclopédico, que vem do Iluminismo”, explica ele. Então defende que hoje os professores precisam trabalhar mais a resolução de problemas a partir de contextos, que é um dos centros da proposta da BNCC.

Porém a grande dificuldade em trazer professores com esse perfil para a sala de aula, acontece a partir de que a própria educação que eles receberam foi contrária a esse modelo: “O professor vem de um Ensino Médio expositivo, conceitual e de memorização. A escola é a não-experiência, enquanto a gente vive a sociedade da experiência”.

Miguel ainda cita abordagens que são aplicadas no Instituto como forma de preparar os professores de maneira mais adequada às necessidades modernas. Dentre elas o modelo ativo de ensino, onde os estudantes já começam a fazer estágio desde o primeiro mês de graduação ou licenciatura.

Ele cita a vivência da realidade dentro de sala de aula como um dos momentos mais importantes da formação, quando eles não só poderão acompanhar o trabalho de outros colegas, como também receber tutoria e fazer discussões em grupo posteriormente às aulas.

Uma das problematizações que Miguel traz sobre a realidade atual é a de que faltam professores na Educação em diversas áreas e muitos ainda acabam se aposentando mais cedo, pressionados por uma cultura previdenciária em que temem perder seus benefícios a longo prazo.

Portanto acredita na grande relevância desses professores mais velhos em continuar atuando, especialmente para guiar os mais novos, que também trarão ideias inovadoras com o objetivo final de uma troca de experiências capaz de resgatar uma relevância maior do ensino. Afinal é preciso aprender com o passado a todo o momento, ao mesmo tempo em que existe uma emergência de se acessar uma cultura infanto-juvenil que converse diretamente com a realidade dos alunos.

Apesar das modernizações, Miguel cita: “Uma das poucas profissões que não será substituída será a dos professores”. Principalmente diante de uma BNCC que traz o papel dos professores como mediadores, esse debate é extremamente importante.

Devido sua experiência em editoras de materiais didáticos, ele também traz um ponto alertado inclusive por Cesar Callegari, o de ver a Base sendo seguida à risca por esses materiais, no lugar ser um documento “aberto”. Por isso atenta para uma possível solução através de atividades extras, como por exemplo os jogos de raciocínio, entre outros, que estimulem a flexibilidade em sala de aula, a partir de professores mediadores preparados.

 

Sandra Garcia

Diretora Pedagógica da Mind Lab

Autora do Livro Mediação da Aprendizagem em co-autoria com Marcos Méier.

Para complementar o debate, Sandra Garcia, atualmente Diretora Pedagógica da Mind Lab, também estimula pontos importantes na área de socioemocionais. Sua experiência se deve ao fato de que a Mind Lab traz a proposta de inserção de atividades que estimulam as habilidades socioemocionais nas grades curriculares das escolas.

Para relembrar, 4 entre as 10 competências da BNCC focam no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Sandra reforça o quanto essas habilidades precisam ser trabalhadas não só pelos alunos, mas também pelos gestores e educadores. Afinal esses são valores intrínsecos que precisam ser transmitidos às crianças e jovens desde os primeiros estágios.

Para isso, ela reforça o encantamento que os professores precisam recuperar pela educação, trazendo as ações lúdicas em formato híbrido, tanto online quanto na sala de aula, para estimular uma nova visão mais leve e divertida de aprendizado.

Como o seu trabalho está ligado ao uso de métodos metacognitivos a partir de jogos de raciocínio, Sandra se mostra positiva quanto às transformações trazidas pela BNCC e pelas mudanças na Educação, pois já é capaz de mensurar esse resultado prático em escolas privadas e públicas, através da aplicação desses métodos inovadores.

Ela acredita que esse é um sentimento que todos os educadores devem ter, já que a crença em um futuro melhor e no desenvolvimento dos alunos, é a principal motivação ao escolher o papel de educadores.

 

E a sua escola, o que tem a dizer?

A partir da opinião desses especialistas, a sua escola já consegue elaborar suas próprias opiniões também? Caso vocês ainda não tenham passado por esse processo, é possível se nortear pelas propostas de discussão incentivadas pelo cronograma e materiais divulgados no Dia D.

Reúna o quanto antes gestores e professores da sua escola para se alinhar e entender o tudo sobre a BNCC!

 

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