A importância da Empatia Compassiva na Educação Socioemocional

Gestão Pedagógica

Preparar os cidadãos do futuro é uma tremenda responsabilidade. Afinal, o mundo precisa cada vez mais de gente capaz de dialogar, de entender e de respeitar os outros. E também de agir e trabalhar em conjunto para construir um mundo melhor.

Educar é uma das mais nobres, e também mais desafiadoras, tarefas humanas. E, embora todos nós sejamos educadores (mesmo que não saibamos disso), o desafio é maior, claro, para aqueles que transformam essa tarefa em profissão.

Como garantir que todos os alunos serão tocados pelo que você têm a lhes ensinar? Como acessá-los e entender as necessidades e caminhos que eles percorrem para o conhecimento? Em sala de aula, como ser o líder que vai inspirá-los a buscar sempre mais e a se superar na busca do conhecimento? Como estimulá-los a agir e a trabalhar em conjunto na construção de um mundo melhor?

Hoje vamos falar de uma característica muito importante na construção das suas relações em sala de aula: a empatia. Com essa capacidade desenvolvida, você será capaz de motivar mais os seus alunos e os ajudará a alcançar melhores resultados.

O que é empatia?

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de enxergar uma situação com os olhos do outro e, a partir dela, entender como essa pessoa pensa, o que ela sente e o que ela precisa.

Imagine uma situação em que você tenha um aluno que não se esforça nas aulas, mantém uma atitude desafiadora e apresenta resultados sofríveis. Por mais que você tente, não consegue corrigir esse comportamento pelos caminhos tradicionais de conversas, combinados, advertências e até mesmo punições. Você pode simplesmente desistir desse aluno e deixar que ele sofra as consequências de seu comportamento. Ou pode tentar se conectar a ele. Por que ele se comporta dessa forma? Qual insegurança ele tenta esconder com aquele tom desafiador? O que ele precisa para reverter esse quadro? Que atitude sua pode mudar esse padrão de comportamento dele?

Nessa segunda opção, você está mobilizando a empatia para ajudar seu aluno a superar esse obstáculo.

Quais são os tipos de empatia?

Existem três tipos básicos de empatia.

  • Empatia Cognitiva – Permite que você entenda o que o seu aluno sente e o que ele pode estar pensando. Ela é muito útil para que você melhore a comunicação com a sua turma e ajuda a manter os alunos motivados.
  • Empatia Emocional – Nesta modalidade, você vai além de entender os sentimentos do outro. Você os compartilha. É o clássico “sentir as dores do outro”. Assim, ao compartilhar essas emoções, você constrói laços afetivos e conexões mais profundas com aquela pessoa.
  • Empatia Compassiva – Além de entender o outro, de ser capaz de sentir o que ele sente, você se sente compelido a ajudá-lo com atitudes práticas. É uma ferramenta poderosa na consolidação dos laços com os seus estudantes. Afinal, quem de nós não se lembra sempre daquele professor que era capaz de descer do seu papel de autoridade para se colocar ao nosso lado e nos ajudar no nosso caminhar?

Como desenvolver a empatia compassiva em você

O desenvolvimento da empatia se dá por meio de um processo de autoeducação. Muitos de nós somos ensinados a interpretar fatos, assumir verdades e estabelecer julgamentos superficiais a partir de atitudes do outro. Sabe aquele pensamento: “se ele está fazendo X, é porque quer que eu entenda Y”?

O primeiro passo é cortar as variáveis “X” e “Y” do seu raciocínio. Em lugar de respostas, faça primeiro perguntas. “Por que será que ele está agindo assim? O que passou pela cabeça dele quando tomou aquela atitude? Por que ele chegou àquela resposta errada?”

E na prática?

Algumas atividades práticas podem ajudar nesse desenvolvimento da empatia. Ler literatura prestando atenção aos personagens, por exemplo, ou ouvir uma música prestando atenção à letra, são dois exemplos de medidas eficientes que ativam áreas do nosso cérebro ligadas à empatia e ao altruísmo. Jogos que estimulam situações de conflito também costumam ser bem eficientes. E caminhadas contemplativas na natureza, ou o exercício de ficar parado num café, por exemplo, observando as pessoas, também nos ajudam a sair nosso próprio mundo interior e a ativar essas mesmas áreas do nosso cérebro.

Experimente, nesse exercício de observação das pessoas, estudar os comportamentos e analisar as diferentes formas de linguagem – escrita, verbal e corporal. Ser capaz de compartilhar os seus sentimentos e interpretar todas essas informações sem julgamentos também é fundamental.

Dessa forma, para chegar à empatia compassiva, você deve se abrir para compartilhar experiências e oferecer sugestões e ajuda. Em outras palavras, exercite, sempre, se perguntar: “O que posso fazer para ajudar essa pessoa? Se eu estivesse no lugar dela, que tipo de ajuda eu gostaria de receber?”

Como trabalhar em sala de aula?

Com a empatia desenvolvida em você, que tal ensinar esse mesmo comportamento aos seus alunos? Ele será muito útil na vida deles.

O trabalho da empatia em sala de aula pode se dar de inúmeras maneiras. E na verdade, não há nenhum grande mistério nisso. Na maioria das vezes, ele já acontece, mesmo que você não tenha se dado conta disso. Uma ferramenta poderosíssima nessa construção é o bom e velho lúdico.

Quer um exemplo de como se ensina crianças pequenas a desenvolver a empatia desde cedo? Com a contação de histórias. Ao ouvir uma narrativa em que um personagem passa por dificuldades durante o enredo, antes de atingir seu objetivo, a criança se identifica e cria laços com aquele personagem. É o grande poder do lúdico em ação.

Jogos e brincadeiras em grupo também são formas de estimular a empatia entre os alunos, especialmente se vocês conversam, após as partidas, sobre as experiências que foram vividas ali.

Não se esqueça de sempre falar sobre as experiências e sentimentos despertados durante a atividade. Fazê-los refletir sobre o que aprendem é fundamental para que possam transpor os aprendizados para a vida real.

Incentive seus alunos a agir

Lembra de quando dissemos, lá no início deste texto, que todos nós somos educadores, mesmo que não saibamos disso?

Nós, adultos, somos os grandes exemplos para as crianças. Mesmo sem perceber, nós as estamos educando a todo o momento com nossas atitudes, nossas opiniões e os valores que expressamos na frente delas. Eles ouvem e assistem a tudo, o tempo todo. É o que se convencionou chamar de currículo oculto, ou o que alguns teóricos chamam de protoeducação, ou seja, que compreende tudo aquilo que aprendemos sem que alguém tenha nos dito, de maneira formal e estruturada, que deveria ser daquela forma.

Uma maneira de incentivá-los, portanto, é pelo exemplo. Um professor ativo, disposto a agir diante de situações que exigem uma intervenção, é um ótimo começo para incentivar nos alunos o protagonismo no mundo em que vivem.

Outra maneira muito importante é trabalhar, com a turma, a transposição para a vida real daquilo que eles aprendem na escola. Por exemplo, atitudes como a colaboração, que pode ser ensinada por meio de jogos, não devem ficar limitadas ao contexto do tabuleiro. Em seguida, faça a turma perceber que eles devem levá-la para as pequenas tarefas diárias em suas vidas. Por isso, seja em casa, ajudando com pequenas tarefas familiares, como alimentar o animal de estimação, colocar as roupas sujas no cesto ou fazer a cama, seja nas brincadeiras e trabalhos escolares com os amigos.

Após uma experiência, seja num jogo, seja numa contação de história, e é importante conversar sobre o que eles sentiram, refletir e entender como os mecanismos de ação e reação às emoções foram ativados durante aquela experiência.

Por que isso é tão importante na Educação socioemocional?

As novas tecnologias, em que pesem todos os avanços e comodidades que nos trazem, têm acentuado um comportamento ao passo que precisamos estar atentos: a desconexão. Cada vez torna-se mais comum observar pessoas que sentem enorme dificuldade em se relacionar com o mundo real. Assim, considerando-se que as tecnologias tendem a dominar nossa existência num futuro bem próximo, é muito importante trabalhar nos adultos do amanhã as habilidades socioemocionais, que lhes permitirão interagir e fazer a diferença no mundo.

A empatia compassiva, com sua característica de nos conectar aos sentimentos e necessidades de outras pessoas, principalmente pela capacidade-chave para o desenvolvimento de competências socioemocionais como a colaboração, a análise de um contexto, o trabalho em equipe, o pensamento crítico e criativo, a comunicação e a abertura para o novo.

Por fim, agora que você já aprendeu um pouco mais sobre a empatia compassiva e sua enorme importância no seu desenvolvimento como profissional, e no crescimento de seus alunos, mantenha-se em constante especialização com nossos materiais de gestão pedagógica no Educador360.

1 Comentário. Deixe novo

  • Luciana Pereira
    03/11/2019 20:37

    Mutio bom este artigo, aprendi uma classificação mais detalhada da empatia, o que considero de suma importância para quem trabalha com educação e capacitação de pessoas.

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