Storytelling: saiba como usar a arte de contar histórias para atrair a atenção dos alunos

Gestão Pedagógica

“Para sobreviver, você precisa contar histórias”

Umberto Eco

Desde os tempos mais remotos da comunicação o conhecimento foi transferido através de histórias. Inclusive mesmo antes da escrita e da linguagem ser desenvolvida nossos ancestrais já contavam histórias por meio de imagens como as pinturas rupestres.

Hoje estamos acostumados a associá-las principalmente ao entretenimento, quando paramos tudo o que estamos fazendo para prestar atenção nas histórias de filmes, novelas, séries, livros entre outros formatos que levam a uma verdadeira imersão dentro de um “novo mundo” com direito a contexto, personagens, sonhos e desafios.

Mas o que muita gente se esquece é que as histórias também são uma ferramenta poderosa de comunicação para transmitir qualquer tipo de mensagem. Isso porque elas despertam emoções ao longo da narrativa com as quais as pessoas se identificam, tais como: felicidade, medo, curiosidade, tristeza e compaixão, por exemplo.

As melhores, na verdade, despertam uma mistura de diversas emoções e por isso é tão difícil se desvencilhar de uma boa história!

Existe até mesmo um nome para essa técnica: o storytelling, que é a arte de contar boas histórias com propósitos definidos. Apesar de não ser novidade, cada vez mais profissionais e marcas estão usando e se aprofundando nesse recurso para atrair a atenção do seu público.

Afinal, em um mundo repleto de informação e estímulos, a atenção se tornou uma das maiores e mais difíceis moedas de troca da sociedade.

Por  exemplo, no ensino,  o storytelling pode ser a maneira mais eficiente de transmitir os conteúdos e ajudar os alunos não só a memorizar como também a se engajar verdadeiramente com as aulas e estudos.

Descubra como a sua escola pode se apropriar dessa técnica e se tornar uma verdadeira líder na arte de engajar os alunos de todas as idades!

 

Por que contar histórias ajudam a ensinar?

Sabemos que as histórias criam ambientes imersivos interessantes que podem atrair muito mais a atenção, mas por que elas também podem se aplicar tão bem durante a aprendizagem?

De acordo com o livro “How Children Learn” (Como as crianças aprendem), de John Holt, existem alguns mecanismos de aprendizagem que determinam as principais motivações das crianças no processo. E apesar do livro não fazer menção direta ao storytelling, é possível analisar como essas formas de pensar se interligam à lógica das histórias. No texto do psicólogo americano Peter Gray, que explica um pouco sobre o conteúdo do livro, podemos destacar alguns desses mecanismos nos itens:

 

 

Crianças partem do todo para as partes em seu aprendizado e não das partes para o todo

De acordo com Peter Gray: “Elas são motivadas a ler histórias interessantes, e não a memorizar os “relacionamentos com fonemas ou apenas palavras soltas à vista”. Como Holt ressalta repetidamente, um dos nossos maiores erros nas escolas é quebrar as tarefas em componentes e tentar levar as crianças a praticar os componentes isolados do todo. Ao fazê-lo, transformamos o que seria significativo e emocionante em algo sem sentido e chato”.

Uma história é um todo na qual se encaixam pequenas partes, sejam capítulos, personagens, núcleos, etc. Ela precisa de começo, meio e fim para estar completa e por isso é uma ótima maneira de ensinar a partir de um contexto que possui um significado amplo.

 

A fantasia fornece às crianças os meios para fazer e aprender através atividades que eles ainda não podem fazer na realidade

Seguindo no raciocínio, Peter Gay acrescenta: “Uma série de psicólogos, eu incluído, escreveram sobre o valor cognitivo da fantasia, como ela está subjacente à mais alta forma de pensamento humano. Mas Holt nos traz uma outra visão sobre fantasia: ela fornece um meio de “fazer” o que a criança não pode fazer ainda na vida real. (…) Holt ressalta que as crianças que jogam jogos de fantasia geralmente escolhem os papéis que existem no mundo adulto ao seu redor”.

Nem toda a história precisa ser fictícia e lúdica, porém essa é uma das características mais comuns e pode ser forte aliada para estimular a imaginação principalmente das crianças. Assim como traz o autor, é possível perceber o universo fantasioso como um momento de descoberta e experimentação do mundo real.

Ou seja, muito do que for assimilado dessa maneira poderá ser colocado em prática futuramente e ainda assim ter um sentido no agora.

 

Quando usar o storytelling na sua escola?

💡Sala de aula

Uma das primeiras relações de toda criança com o storytelling é dentro da sala de aula, através da abordagem dos próprios professores. A maneira como os professores desenvolvem suas ideias por meio de exemplos, alusões e histórias é na maioria das vezes, o que define o sucesso da aula e da captação da mensagem pelos alunos.

Durante seu tempo de estudo básico, todo mundo tem um exemplo de um ou mais professores cativantes, capazes de fazer a turma rir, se surpreender e até refletir. São aquelas aulas que parecem sempre passar mais rápido e que fazem os alunos se engajarem até em matérias que eles não têm tanta afinidade.

É muito provável que esses professores estejam usando recursos de storytelling e nem sempre possuem consciência disso!

Na prática estamos falando não só de uma narrativa atraente e convincente que estimule elementos como o humor, o suspense e a surpresa por exemplo, mas também de técnicas de apresentação como ritmo da fala e entonação da voz, além do uso de elementos de apoio como vídeos, imagens ou sons que estimulem a imaginação e imersão através dos sentidos.

 

💡Material didático

O material didático permite usar o storytelling de forma abrangente porque diferente da narrativa do professor, que se apoia no improviso e apresenta o desafio da individualidade de cada docente, aqui é possível pensar em um método planejado. Nesse caso, provavelmente a narrativa terá uma continuidade a longo prazo ao explorar personagens e cenários que acompanham o aluno durante toda uma trajetória no mínimo ao longo do ano.

Indo além dos formatos de livros e apostilas tradicionais e pensando no processo de transformação que o ensino está passando do papel para o digital, os recursos digitais online podem se tornar extremamente ricos e ilimitados.

O audiovisual permite que histórias sejam contadas de forma mais imersiva por meio de imagens e sons interativos e ainda pode se unir a outras técnicas como a do gamification.

Para quem ainda não conhece, o gamification utiliza da lógica dos jogos como desafios e fases de evolução, para atingir objetivos específicos, seja nos estudos ou outros contextos próximos da realidade.

Materiais didáticos online podem ser uma ferramenta auxiliar muito útil para complementar os estudos e estimular o interesse dos alunos através do storytelling e do gamification.

Para um modelo mais completo, o ideal é aliar a comunicação dos professores com um material didático a partir dessa lógica. Para isso, existem estudos mais aprofundados de técnicas de storytelling que podem ser testados e aplicados durante nas estratégias da sua escola.

Para os professores, é possível investir em treinamento. Já para os materiais didáticos, geralmente o caminho é escolher aqueles que já tragam essa proposta como base.

O importante é a escola ter a percepção de que sempre será possível melhorar a forma de transmitir o conhecimento de uma forma mais leve e por que não, divertida? Afinal, mais do reter alunos matriculados é preciso reter a atenção desses alunos para que sua presença na escola tenha real significado.

Se esse não for um dos maiores objetivos dos educadores, talvez seja melhor rever prioridades!

1 Comentário. Deixe novo

  • Lucia Helena Alves Pazzini
    30/04/2019 20:58

    É interessante contar a história através da tecnologia..chama muito atenção do aluno.

    Responder

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