O que são habilidades socioemocionais?

Gestão Pedagógica

É muito comum ter a sensação de falta de controle sobre os campos emocionais. Isso porque a maioria das nossas habilidades socioemocionais não são estimuladas ou desenvolvidas de forma eficiente.

Geralmente esse aprendizado fica por conta da vida cotidiana, que através dos erros e acertos moldam a forma como lidamos ou mesmo ignoramos esse lado que é tão importante, justamente porque é a base de todos os contextos em que vivemos.

Seja no trabalho, estudos, lazer ou família, as nossas habilidades socioemocionais são testadas e estimuladas a todo momento e ditam a forma como reagir e se relacionar no dia-a-dia.

Mas, afinal, do que se tratam exatamente?

As habilidades socioemocionais são um conjunto de aptidões desenvolvidas a partir da Inteligência Emocional de cada uma das pessoas. Em resumo, elas apontam para dois tipos de comportamento: a sua relação consigo mesmo (intrapessoal) e também a sua relação com outras pessoas (interpessoal).

São aquelas qualidades interiores que a maioria de nós valoriza no dia-a-dia, mas que por serem subjetivas, quase sempre acabam ficando em segundo plano em relação aos nossos direcionamentos considerados objetivos.

Inclusive, a defasagem dessas habilidades só costuma ficar nítida diante dos problemas quando se percebe que não estamos aptos para lidar emocionalmente com os desafios a nossa frente.

 

Inteligência Cognitiva X Inteligência Emocional

O assunto ganhou destaque após o lançamento do livro “Inteligência Emocional”, em 1995, de Daniel Goleman. Como psicólogo e jornalista do The New York Times especializado em temas sobre ciência do cérebro, ele defendeu que existe uma grande limitação na forma como enxergamos nossa maneira de pensar hoje.

O livro, que foi um divisor de águas para os estudos das emoções a nível de aprendizagem, aponta para dois grandes tipos de inteligência:

  1. A Inteligência Cognitiva, avaliada pelo Q.I (quoeficiente de inteligência), representa o nosso lado intelectual e de raciocínio lógico.
  2. A Inteligência Emocional, medida pelo Q.E. (quoeficiente emocional), diz respeito a capacidade de compreender e lidar com as emoções tanto a nível pessoal, quanto exterior. Goleman a divide em uma estrutura de 5 pilares (Autoconhecimento Emocional; Controle Emocional; Automotivação; Reconhecimento de emoções em outras pessoas e Habilidade em relacionamentos interpessoais).

De acordo com a teoria das inteligências múltiplas, entre esses dois tipos de inteligência podemos encontrar 9 categorias com focos diferentes.

Ele também cita que essas duas inteligências são bem diferentes: “Não existe correlação entre QI e empatia emocional. Eles são controlados por diferentes partes do cérebro”.

Porém, apesar de atuarem em campos distintos, os dois modelos se afetam entre si. Uma pessoa com baixo nível de inteligência emocional, por exemplo, terá mais dificuldade de se desenvolver intelectualmente de forma plena.

Um exemplo comum é quando alguém está tão nervoso para realizar uma prova, que não consegue pensar com clareza e por isso se sai mal. Isso pode acontecer mesmo que haja alto nível de conhecimento sobre o tema da avaliação.

Existem ainda análises indicando que os alunos submetidos a um programa de ensino com base em habilidades socioemocionais, geralmente apresentam melhor desempenho nas avaliações dos componentes curriculares como matemática, português e ciências naturais.

Há ainda quem considere a Inteligência Emocional mais importante do que a Cognitiva, já que envolve o indivíduo como um todo e pode ser aplicada em qualquer esfera, tanto profissional quanto pessoal.

 

Quais são essas habilidades ?

Considerando a Inteligência Emocional como um conjunto de habilidades socioemocionais, pode-se dividir essas habilidades em 3 grandes pilares:

1. Emocionais

Como lidar com os próprias emoções a partir das situações a que somos expostos no cotidiano. Representa habilidades como: aprender a ganhar e a perder, aprender com os erros, desenvolver autoconfiança, senso de autoavaliação e de responsabilidade.

2. Sociais

Como se relacionar com o mundo externo e com as pessoas ao redor. Dizem respeito às capacidades de saber cooperar e colaborar, lidar com regras, comunicar-se bem, resolver conflitos e atuar em ambientes de competição saudáveis.

3. Éticas

Como agir positivamente para o bem comum. Respeito, tolerância e aceitação das diferenças são qualidades importantes nessa área.

 

A própria divisão um pouco mais detalhada de Goleman se encaixa perfeitamente nos itens acima. Entender essa estrutura é fundamental para uma análise mais clara sobre quais pontos precisam desenvolvidos e de que forma eles se influenciam entre si.

Às vezes, um lado pode ser mais ressaltado do que outro. Alguém que tenha a habilidade da comunicação por exemplo, que diz respeito às habilidades sociais, pode expressar-se com coerência e clareza, envolvendo com facilidade as pessoas em suas ideias. No entanto, se essa mesma pessoa não possuir habilidades éticas, sua comunicação pode se tornar tendenciosa e manipuladora, a ponto inclusive de prejudicar as outras pessoas.

Por isso é importante desenvolver todas as áreas de habilidades socioemocionais de forma simultânea e equilibrada. Afinal, para além do autodesenvolvimento pessoal, elas também dizem respeito sobre o impacto que cada um pode gerar no mundo.

 

Habilidades Socioemocionais na Educação

Hoje, a maior parte do sistema educacional foca nas habilidades cognitivas relacionadas apenas ao raciocínio intelectual. Ou seja, desde cedo as crianças são ensinadas a trabalhar conhecimentos específicos para tirarem boas notas em avaliações lógicas.

Diferente das métricas cognitivas que podem ser medidas pelo Q.I (quoeficiente de inteligência), as habilidades emocionais, que são medidas pelo Q.E (quoeficiente emocional), são mais difíceis de mensurar.

Isso porque elas são amplas e atuam em campos subjetivos do cérebro que vão além do conceito de certo e errado a que estamos acostumados a avaliar. Na verdade, é exatamente a capacidade de se adaptar e ser flexível de acordo com o contexto, que irão ditar o sucesso dessa área.

É preciso ter em mente, no entanto, que a metodologia vigente não acompanha as necessidades individuais ou até mesmo do mercado de trabalho atual. Não à toa, escolas em todo o mundo estão se reformando para se adequar melhor a esse outro pilar da inteligência que é tão ou mais importante quanto.

No Brasil, a nova BNCC (Base Nacional Curricular Comum), já apresenta quatro (das 10) Competências Gerais do documento com base em uma educação socioemocional.

Afinal, a educação infantil é a área de maior potencial para começar a desenvolver as habilidades socioemocionais, quando o ser humano está formando a base de seu conhecimento e visão de mundo. É nessa etapa em que vão se estruturar as habilidades que serão levadas para a vida toda e assim influenciar a qualidade e sucesso da vida adulta.

Sendo assim, as escolas e pais têm um grande papel e responsabilidade em suas mãos ao começar a enxergar seus alunos e filhos como um ser humano completo, e não alguém capaz de assimilar apenas conhecimentos específicos.

De fato, isso só será possível a partir do momento em que houver abertura para uma aprendizagem inovadora, capaz de expandir a experiência do ensino em níveis mais profundos e para além da sala de aula.

Comece o quanto antes essa transformação!

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