Conheça o prêmio “Nobel da Educação” e o seu impacto na valorização de professores

 

 

Alguns prêmios globais são tão famosos que dispensam apresentações, especialmente os ligados ao entretenimento. Não é novidade que o Oscar é o maior prêmio do cinema e o Grammy é o maior prêmio da indústria musical,por exemplo. Já para a área do conhecimento, se destaca o Nobel, que reconhece avanços culturais e científicos diversos.

Mas o que pouca gente sabe é que também existe um grande prêmio para a área da Educação, o Global Teacher Prize, comumente relacionado como “Nobel” ou “Oscar” da Educação, justamente por ainda não ser assim tão popular.

A premiação acontece desde 2015 como uma iniciativa da Varkey Fundation, uma organização sem fins lucrativos originada em Dubai, nos Emirados Árabes.  De acordo com a organização, o maior objetivo que desejam atingir é o de melhorar os padrões educacionais para crianças desprivilegiadas ao redor do globo.

Eles consideram que “toda criança tem direito a bons professores”. Assim, os valorizam através de ações como pesquisas e treinamentos, o que inclui também a entrega deste grande prêmio anual de reconhecimento, em que cada vencedor(a) leva para casa, além do título de melhor professor(a) do ano, a quantia de 1 milhão de dólares em reconhecimento ao destaque de seu trabalho de impacto positivo.

Saiba mais sobre o prêmio que teve sua última edição em 18 de Março de 2018 e como esse tipo de incentivo pode ajudar a impactar a visão sobre o papel dos professores!

 

História e Propósito

O prêmio surgiu após o resultado de uma pesquisa encomendada pela Fundação Varkey à Populus, principal consultoria em pesquisa e estratégia, que tinha por objetivo reunir opiniões de 21 países em busca de um relatório para comparar os status de professores do mundo. Por status pode-se entender aqui o nível de respeito e valorização que possuem na sociedade.

Os resultados surpreenderam Sunny Varkey, presidente da Fundação Varkey, cujos pais eram professores. Isso porque a pesquisa, chamada “Global Teacher Status Index”, divulgada em 2013, não trouxe dados positivos mesmo em países considerados desenvolvidos como o Reino Unido. Já o Brasil aparece como um dos países em que os professores possuem o menor status social entre todos.

Dessa forma Sunny Varkey fundou o Global Teacher Prize como uma resposta a esse cenário, justamente para ajudar a mudar a percepção das pessoas sobre a profissão, que é tão relevante ao desenvolvimento educacional das crianças e consequentemente futuros profissionais e cidadãos.

De acordo com a organização: “Acreditamos que os professores – profissionais qualificados que fazem um dos trabalhos mais importantes na sociedade – devem ser tratados com o mesmo grau de respeito que os médicos. No entanto, o Índice Global de Status do Professor da Fundação Varkey mostrou que, dos 21 países pesquisados, apenas na China as pessoas percebiam que os professores tinham o status igual ao dos médicos. No Reino Unido, menos de 5% dos entrevistados pensavam que os professores tinham um status equivalente”.

 

Diretor Brasileiro entre os 10 Finalistas

Um dos primeiros impactos que um prêmio como esse pode gerar é, sem dúvida, o da visibilidade aos esforços de profissionais que estão fornecendo o melhor de si, independente até das condições e dificuldades comumente enfrentadas em tantas escolas de baixa renda.

Este ano, por exemplo, uma boa surpresa ocorreu quando entre os 10 finalistas anunciados por Bill Gates, estava um diretor brasileiro: Diego Lima, diretor de uma escola de Rio Preto (SP), responsável pela gestão de um local em situação extremamente precária.

Entre os principais problemas enfrentados estavam o alto índice de evasão, instalações degradadas e conflitos constantes envolvendo inclusive o tráfico de drogas. Ao assumir a direção da escola em 2015, Diego foi recebido com uma rebelião pelos alunos que atearam fogo aos banheiros.

Porém, aos poucos ele foi transformando a escola, que antes era punitiva, em um espaço comunitário e convidativo através de soluções práticas e viáveis aplicadas no cotidiano. “Tudo começou a mudar quando dei voz a eles”, diz Diego.

Um dos primeiros passos foi criar um mural onde os alunos poderiam incluir críticas, elogios e sugestões para serem lidos pelos professores.

Além disso, ele aproximou as famílias criando shows de talentos entre pais e filhos e tomou a iniciativa de começar sozinho, a embelezar o espaço pedindo materiais de construção a outras escolas da região. Conforme as pessoas tomavam conhecimento, foi se formando um grupo de voluntários para ajudar.

Entre outras ações, ele também revitalizou totalmente a biblioteca, que antes era um depósito de materiais, criando um acervo de 7 mil livros através de doações.

De acordo com a Varkey Foundation, um dos critérios da escolha foi o de que: “acima de tudo, a escola atualmente tem um lugar na comunidade, e todos sabem que são bem-vindos ali”.

Ter um diretor brasileiro entre os finalistas, foi uma grande conquista para o Brasil, que em geral costuma ficar entre os piores colocados de vários índices da educação mundial. Na última avaliação do Pisa, por exemplo, que é o exame educacional mais importante do mundo, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática, considerando os 72 países participantes.

 

Professora Inglesa de Artes, vencedora em 2018

A grande vencedora do ano de 2018 foi Andriz Zafirakou, do Reino Unido, professora arte e têxteis, mas também integrante da equipe de gestão.

Andrea trabalhou em uma escola em Brent, pequena cidade na periferia de Londres e também um dos lugares com maior diversidade étnica e desvantagem social do país.

Por receber tantos estrangeiros, ali as crianças falam 35 idiomas diferentes e lidam diariamente com a pobreza e a violência do local, já que a área tem a segunda maior taxa de homicídios do Reino Unido e mais de um terço das crianças vivendo em situação de extrema pobreza.

A diferença cultural foi uma das situações enfrentadas com coragem pela professora, que  aprendeu a cumprimentar todos nos 35 idiomas apenas para que as crianças se sentissem bem-vindas e acolhidas.

Além disso, ela precisou lidar com questões de segurança, por se tratar de uma região de risco. Para resolver alguns dos problemas, Andriz redesenhou todo o currículo, aumentou o turno escolar para se adaptar à  diferentes realidades e ainda trouxe a comunidade para dentro da escola com a presença de artistas, psicólogos e policiais.

De acordo com Andriz, trabalhar artes ajudou a criar uma relação de comunicação para além das palavras. “Essas são matérias poderosas”, diz ela. “Elas ajudam os alunos a desbloquear todas as suas barreiras linguísticas” porque “arte transcende a linguagem”, ela acredita.

Em outra de suas declarações, a professor afirma:

“Minha vocação na vida é garantir que cada criança atinja todo seu potencial.”

 

Por que professores?

O prêmio, apesar de ser apenas uma entre tantas iniciativas que precisam ser tomadas para melhorar a educação em cada país individualmente, já é um começo que nutre a expectativa e a esperança de uma maior valorização de professores a nível global.

Afinal, os professores e gestores precisam se sentir cada vez mais motivados a exercer seu papel e também a criar envolvimento de qualidade com as famílias e comunidades.

E quando falamos em profissionais que representam a mediação de ensino, vale lembrar que não se trata apenas dos professores efetivamente em sala de aula, mas todo o conjunto de pessoas responsáveis pelos alunos, como diretores, coordenadores e gestores em geral, assim como o próprio diretor brasileiro finalista e a vencedora do Global Teacher Prize, que exercia funções de gestão na escola, já que  por isso teve a oportunidade de realizar transformações mais profundas.

Como a própria Varkey Foundation afirma: “A falta de educação é um fator importante por trás de muitos dos problemas sociais, políticos, econômicos e de saúde enfrentados pelo mundo hoje. Acreditamos que a educação tem o poder de reduzir a pobreza, os preconceitos e os conflitos.”

Os organizadores do prêmio também consideram que: “os status dos professores em culturas em todo o mundo é extremamente importante para nosso futuro global”.

No fim, o reconhecimento valoriza professores e gestores que não são capazes de ensinar apenas matérias para tirar boas notas e sim aqueles que se envolvem em profundidade na formação do aluno, em busca de um desenvolvimento pleno.

São aqueles que entendem a educação não como um processo isolado e restrito às paredes da sala de aula e por isso são capazes de trazer e contextualizar também a comunidade e a família, além de ativar a própria autonomia dos alunos para resolver problemas juntos.

Portanto, o Global Teacher Prize é o ápice de uma valorização que poucos educadores poderão atingir efetivamente, mas que todos podem se espelhar na busca de um futuro melhor para a educação e para toda a vida.

De que forma a sua escola tem trabalhado soluções abrangentes que impactam a vida dos alunos dessa forma?

 

 

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