Iniciativas para envolver as famílias na educação

Saiba mais como envolver as famílias na educação escolar

Inúmeros fatores influenciam o aproveitamento escolar de um aluno, mas é sabido que o apoio da família e envolver as famílias na educação impacta consideravelmente seu desempenho. Segundo o Portal Gestão Escolar, no estudo A Eficácia Escolar Ibero-Americana, o Convênio Andrès Bello identificou que o suporte da família é responsável por 70% do sucesso escolar.

O envolvimento dos adultos com a Educação dá às crianças um suporte emocional e afetivo que se reflete no desempenho.

Maria Amália de Almeida
Observatório Sociológico Família-Escola (UFMG)

1ª Iniciativa – Desmistificar conceitos e adaptar a linguagem

Para entender a realidade de cada família, é necessário deixar de ecoar as opiniões do senso comum e saber conversar com diferentes tipos de estrutura familiar, entendendo a situação de cada um deles. A melhora na comunicação entre as duas partes é capaz de beneficiar consideravelmente essa relação e fazer com que ambos os lados deixem de utilizar as mesmas desculpas.

A socióloga Maria Alice comenta, em uma entrevista para a Revista Nova Escola: “O professor sempre fala em parceria, mas não costuma receber bem a opinião do pai ‘leigo. Já os pais estão pouco dispostos a acatar recomendações sobre como vivem e cuidam dos filhos.” É importante que o corpo docente e a gestão da escola trabalhem essa relação sem contribuir com alguns mitos:

Uma família ‘desestruturada’ é um problema

É importante que a escola não deposite os problemas existentes em características como a desagregação da família, por exemplo. A antropóloga da UFRJ Myriam Lins de Barros afirma à Revista Nova Escola: “Possibilidades diferentes não levam, necessariamente, à desorganização.” Pais separados podem, por exemplo, ter um impacto mais positivo na vida escolar do filho do que se estivessem juntos de uma maneira desequilibrada, afetando negativamente seu rendimento.

Os pais nunca estão presentes nas reuniões e atividades da escola, portanto, não se interessam pela rotina escolar

Muitas vezes o que acontece é a falta de comunicação entre a família e a escola, o que leva a 3 situações diferentes: as famílias podem não saber do calendário escolar (nem tampouco das reuniões); os encontros podem ser marcados em horários e dias em que eles estão indisponíveis; ou até pode ser que se interessem mas não vejam como e nem porque interferir no processo educacional.
Também é importante que a escola adapte a linguagem utilizada sobre o desempenho e o comportamento dos filhos para que todas as famílias possam entender e desenvolver ações para auxiliar nas questões. Muitas vezes, as famílias não se acham no direito de interferir no processo, por isso se ausentam e deixam a responsabilidade nas mãos da escola.

2ª Iniciativa – Promover aproximações entre a família e a escola

Mas, além disso, nossa sugestão é que a escola crie momentos que aproximem realmente as famílias do processo de ensino-aprendizagem, ao invés de apenas informá-las. É preciso diminuir os obstáculos existentes entre as partes com ações como:

✔Apresentar as instalações, os funcionários e suas funções, expor o funcionamento e a rotina da escola e explicar a importância da família no desenvolvimento desta comunidade.

Realizar reuniões de pais em horários adequados, que considerem a presença de todos, sem disputar com a jornada de trabalho convencional. Também é importante fazer uma votação entre as famílias, deixando os compromissos marcados com antecedência e separando as famílias em grupos diferentes.

 Orientar as famílias sobre maneiras de incentivar os estudos dentro de casa, como: estabelecer horários para as diferentes atividades da criança (incluindo brincar, descansar e estudar), organizar os materiais de estudo na casa e perguntar e conversar sobre os assuntos que estão sendo estudados na escola. (Veja mais dicas de conscientização das famílias e da comunidade no artigo: O combate diário à Evasão Escolar.)

 Oferecer palestras e bate-papos que conscientizem os responsáveis dos alunos acerca de assuntos cotidianos como: saúde, higiene, bullying, psicologia infantil, cuidados básicos com cada etapa de aprendizado e etc

Em entrevista ao portal Gestão Escolar, Maria do Carmo Brant, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária, aconselha: “Sempre que possível, a escola deve ser uma referência para as famílias, ajudando-as a compreender melhor os filhos e a realidade. Ela pode levantar o debate sobre as questões sociais e culturais mais presentes no cotidiano da comunidade“.

3ª Iniciativa – Oferecer apoio e criar um canal de comunicação com a família

Absolutamente qualquer família tem potencial educativo, mas nem todas sabem como exercê-lo. Por isso, sugerimos três atitudes:

Criar um canal de comunicação com as famílias dos alunos

O canal de contato pode variar de acordo com o meio que for mais disponível para os pais, podendo ser: por sms, por carta, por telefone ou mesmo por visitas esporádicas em reuniões da escola. O importante é que a escola se mostre disponível para o chamado das famílias.

Disponibilizar profissionais para questões específicas

O conceito de Orientador Familiar, por exemplo, vem se consolidando principalmente desde o ano de 2013 através de uma proposta do CIEDS em parceria com a Fundação Itaú Social e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Esse profissional é responsável por aproximar a família do espaço educacional e estimular diálogos sobre a formação das crianças, evidenciando a importância do agente família no processo de aprendizagem e fortalecendo a relação com os pais.

Na ausência do Orientador Familiar, a escola pode distribuir essa demanda entre seus profissionais, organizando o corpo docente para atender às diferentes necessidades das famílias. O coordenador pedagógico, por exemplo, pode concentrar-se em nos assuntos sobre o processo de ensino-aprendizagem da instituição e sobre os incentivos dos estudos em casa, deixando questões sobre matérias e rendimentos totalmente voltadas para os professores de cada área. Isso pode ser rearranjado conforme a disponibilidade de profissionais da escola e suas aptidões, mas é importante que fique claro para os pais quem cuida do quê.

Verdadeiramente, esperamos que este conteúdo possa ajudá-los na implementação de um relacionamento mais próximo com as famílias.

Conte-nos, por meio dos comentários, sua opinião acerca da relação escola-família e das iniciativas abordadas.

 

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