Habilidades socioemocionais ajudam a combater o preconceito

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Conheça as diferentes manifestações desse comportamento e saiba como combater o preconceito

Dando sequência à nossa série sobre temas sensíveis , hoje vamos abordar mais um dos muitos “trabalhos civilizadores” que cabem a nós, educadores: a luta contra o preconceito. 

Embora nossa sociedade tenha avançado em anos recentes nas iniciativas para diminuição de desigualdades e garantia de direitos às minorias, a escola é terreno fértil para o surgimento de preconceito. Afinal, ela é um ambiente propício para o fenômeno conhecido como pressão dos pares, no qual crenças e valores de um grupo influenciam e, por vezes, se impõem sobre crenças e valores individuais. 

Por isso, cabe a nós, educadores, semear os antídotos ao preconceito, desenvolvendo habilidades socioemocionais como solidariedade, empatia, respeito por si e pelo próximo, e equidade.

Como fazer isso? Vamos ver como os Métodos Metacognitivos do Programa MenteInovadora podem nos trazer algumas ideias:

Método do Filtro e as diferentes manifestações de preconceito

Aqui a ideia é fazer uma adaptação deste método, que usamos para filtrar informações e manter apenas aquelas que nos interessam. No nosso caso, ele pode ser usado para separar o preconceito em suas diferentes formas de manifestação. Embora seja normalmente associado ao racismo (confira aqui como lidar com esse tema na escola), o preconceito pode surgir em uma infinidade de outras apresentações. Vamos a alguns exemplos:

Origem social – contra alunos de classe social diferente ou que não têm condições de adquirir roupas e acessórios da moda ou de marca;

Aparência física – contra crianças e jovens que não se enquadram nos padrões estéticos ditados pela sociedade;

Comportamento ­– normalmente direcionado aos mais tímidos, ou estudiosos demais (os famosos “nerds”);

Cognitivo – contra os que têm desempenho ruim em determinadas disciplinas, especialmente nas mais cultuadas pela galera, como Educação Física, por exemplo;

Gênero – contra alunos e alunas que não se enquadram na divisão binária de sexo masculino ou feminino, considerada como normal, ou ainda contra meninas, por parte de grupos de meninos que reproduzem comportamentos machistas;

Muitas dessas manifestações, como você já sabe, podem acabar derivando para o bullying. Por isso é importante combatê-las assim que surgem, além de contribuir para a formação integral dos seus alunos.

Método das Aves Migratórias e o respeito pelo próximo

Trabalhar em conjunto é uma das melhores maneiras de aprender a enxergar as potencialidades do outro. Se você estiver conduzindo um trabalho genérico sobre preconceito e todas as suas formas de manifestação, divida a turma em grupos, atribua uma forma de preconceito a cada grupo e peça pesquisas sobre o que é e de que maneira se manifesta. Para garantir um melhor aproveitamento desse trabalho, use um método de divisão que garanta a formação de grupos heterogêneos, quebrando as panelinhas. Uma maneira muito eficiente é a atribuição de números. Funciona assim:

Sem dizer qual será o trabalho, peça aos alunos para que formem um círculo;

Atribua um número a cada aluno e peça que eles memorizem esse número. Se você vai trabalhar cinco formas de preconceito, por exemplo, complete a volta dando um número a cada um, de 1 a 5, na sequência;

Em seguida, peça que todos os alunos com número 1 formem um grupo, depois todos com número 2 e assim sucessivamente;

Com os grupos formados, revele os temas atribuídos a cada número.

Durante o trabalho de pesquisa, oriente cada grupo sobre a divisão de tarefas. Com cada um fazendo a sua parte, o grupo todo trabalha melhor. Numa aula seguinte, eles podem ser convidados a apresentar o que descobriram sobre cada tipo de preconceito. Isso vai prepará-los para o próximo passo, com uma atividade de Tribunal do Júri.

Método Árvore do Pensamento, solidariedade e equidade

Preconceitos são socialmente construídos. Para combatê-los, portanto, é necessário desconstrui-los, despertando a solidariedade e o sentimento de equidade no grupo. Uma maneira eficiente de fazer isso é levar os alunos a perceber as diversas possibilidades diante da complexidade dos processos da vida, exatamente como propõe o Método Árvore do Pensamento. Além dos jogos de tabuleiro, que favorecem esse aprendizado, uma atividade interessante pode ser um Tribunal do Júri.

Como uma espécie de teatro, essa dinâmica simula a realização de um julgamento sobre exemplos práticos fictícios de manifestação dos diversos tipos de preconceito. Peça voluntários para os diferentes papéis: juiz, advogado de defesa, promotor de acusação, vítima e réu. Os jurados podem ser todos os demais alunos. Você pode apresentar o caso e, como num julgamento, cada parte terá um papel a desempenhar, apresentando o problema sob diferentes pontos de vista. O papel dos jurados será opinar, após a apresentação de todos os atores, sobre como seria uma solução para reparar a ofensa e evitar que ela se repita.

Método do Espelho e a empatia

Reconhecer as próprias fortalezas e fraquezas é um passo inicial para compreender que todos somos melhores em algumas coisas e piores em outras. E perceber que todos temos fraquezas desperta a empatia, sentimento fundamental na construção de relações mais harmônicas e compreensivas. Para estimular essa reflexão, monte uma Roda de Conversa e inicie pedindo que cada um escreva num pedaço de papel uma qualidade e um defeito que reconhece em si mesmo.

Recolha esses papéis numa caixa e sorteie aleatoriamente alguns. Leia em voz alta a qualidade e o defeito e proponha o debate sobre como essas características afetam a convivência do grupo. O aluno que escreveu não precisa se revelar, a menos que ele mesmo tome essa iniciativa. Como mediador, faça a ponte entre algumas dessas características e a origem dos diferentes tipos de preconceito. Elas estariam na origem, por exemplo, da pressão de pares? Que atitudes podemos tomar para combater essas ocorrências?

Por isso, sempre é bom lembrar que essas sugestões podem ser adaptadas a um único tipo de preconceito, caso você tenha identificado um problema específico na sua turma, como aconteceu com o professor Otávio Fidelis, com sua turma do 5º ano na Escola Municipal Professor Reginaldo Ferreira Neto, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Ele encontrou caminhos diferentes para abordar o problema e pode ser uma ótima fonte de inspiração.


1 Comentário. Deixe novo

  • Daniela Broio Bortolan
    10/06/2020 01:23

    Esse tema é muito pertinente, principalmente na atual situação em que o racismo tem ceifado muitas vidas, muitas crianças são vitimas desse crime absurdo. Sabe se que nao somente o racismo é o causador de tantos problemas na sala de aula, o preconceito em relação ao corpo e a posição social, ao meu ver, também é muito presente. Diante dessas dificuldades enfrentadas em sala, as orientações e sugestões apresentadas neste texto são de grande importancia.

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