BNCC aprovada para o Ensino Médio: entenda o que muda neste novo modelo

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Já faz algum tempo que estão sendo discutidas mudanças profundas na estrutura do Ensino Médio brasileiro. Em um primeiro momento, através da medida provisória sancionada em Fevereiro de 2017, que ficou conhecida como Reforma do Ensino Médio ou Novo Ensino Médio.

Em paralelo, a BNCC para esta fase do Ensino Básico também estava em andamento, tendo sido homologada pelo MEC em Dezembro de 2018.

Especialistas da educação, como o ex-presidente da comissão da Base Nacional Comum Curricular, César Callegari, apontaram divergências entre os dois documentos, que vêm gerando debates por todo o país.

No entanto, com a homologação da BNCC oficial que pode ser acessada pelo link aqui, alguns parâmetros já estão definidos. Em outra página, O MEC também disponibilizou perguntas e respostas objetivas para diversas das principais dúvidas.

Nós, do Educador 360, resumimos tudo o que é mais importante saber para você que precisa acompanhar essa nova etapa! Entenda o que muda com relação ao modelo atual:

 

Novo foco: competências

Assim como a BNCC do Ensino Infantil e Fundamental, a Base Nacional Comum Curricular também será orientada por Competências no Ensino Médio. Vale lembrar que as competências são um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores.

Em resumo, o documento orienta que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza”.

As 10 Competências Gerais são as mesmas para toda a Educação Básica. Já divulgadas no documento anterior, um ponto de destaque é o fato de que 4 entre as 10 competências possuem um foco em habilidades socioemocionais. Saiba quais são elas em nosso outro post aqui.

Dessa forma, é reforçado o compromisso com a educação integral, na qual se incluem os pilares cognitivo, social, emocional e ético. Diferente do modelo linear de educação anterior, focado no avanço cognitivo, agora a educação deve considerar toda a complexidade do desenvolvimento humano. Portanto, cada uma das 10 competências gerais inter-relacionam esses 4 pilares entre si.

 

Protagonismo e Autonomia

Para além da formação estudantil, um dos novos focos para e educação da juventude, é o estímulo do seu protagonismo. Portanto, a BNCC do Ensino Médio aponta para um novo olhar que ultrapassa a seleção dos vestibulares. Agora o propósito é de que os jovens possam desenhar seu projeto de vida com amplitude, conforme afirma o documento:

“Significa, ainda, assegurar aos estudantes uma formação que, em sintonia com seus percursos e histórias, faculte-lhes definir seus projetos de vida, tanto no que diz respeito ao estudo e ao trabalho como também no que concerne às escolhas de estilos de vida saudáveis, sustentáveis e éticos.”

 

Interdisciplinaridade e Trabalho em Grupo

Na BNCC, agora o Ensino Médio está organizado em quatro áreas do conhecimento somadas à possibilidade do ensino profissionalizante:

  1. Linguagens e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa)
  2. Matemática e suas Tecnologias
  3. Ciências da Natureza e suas Tecnologias (Biologia, Física e Química)
  4. Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia)
  5. Formação Técnica e Profissional

Entre as principais mudanças, destaca-se que Português e Matemática serão as únicas matérias obrigatórias para os 3 anos. As demais matérias poderão ser distribuídas ao longo do período.

Diferente do que previa a Reforma, que considerava 60% do tempo para um ensino em comum à sala e 40% para itinerários formativos (matérias escolhidas pelos alunos individualmente), a questão da flexibilidade no currículo ainda está em debate e com pontos em aberto. Porém, de acordo com o MEC: “As escolas e as redes de ensino têm autonomia para organizar seus itinerários formativos, sendo que cada escola deverá ofertar pelo menos um itinerário.”

Como podemos perceber, a interdisciplinaridade é um fator determinante, já que as matérias não são mais vistas isoladamente. Esse novo modelo também contribui para o desenvolvimento do trabalho em grupo.

A ideia é que a partir do interesse dos próprios estudantes, eles possam se articular em grupos colaborativos de estudo. Entre as possibilidades que facilitam esse movimento estão a criação de laboratórios, oficinas, clubes, observatórios, incubadoras, núcleos de estudo e também de criação artística, assim como orienta a BNCC.

 

Carga Horária

A Reforma do Ensino Médio também têm trazido a discussão em torno do ensino integral para o Ensino Médio. No entanto, o que ficou decidido até então foi apenas o acréscimo de horas. Com implementação até 2022, são 700 horas a mais para o Ensino Diurno, partindo das 2.400 horas atuais para 3.000 horas.

Já para o Ensino Noturno, permite-se manter a carga atual e ampliar a duração do curso para mais de 3 anos. Nesse caso, o objetivo é garantir o êxito dos estudantes que geralmente optam por esse horário devido ao trabalho.

 

Ensino Profissionalizante

Acredita-se que um dos grandes diferenciais e benefícios para os jovens no novo modelo, está em torno do ensino profissionalizante. Apesar de não ser obrigatório, essa alternativa permite que a formação técnica ocorra de maneira mais rápida e objetiva.

Para entender a diferença, antes, para se ter uma formação profissionalizante, era necessário cursar 2.400 horas no ensino regular e mais 1.220 no técnico, totalizando 3.600 horas. De acordo com o MEC: “Agora, o jovem poderá optar por uma formação técnico-profissional dentro da carga horária do Ensino Médio, sendo 1.800 horas-aulas dedicadas às áreas do conhecimento e 1.200 para os itinerários formativos, totalizando 3.000 horas.”

Ou seja, o fato de que os alunos terão de cursar 3.000 horas tanto para se formar de forma regular quanto técnica, estimula que os alunos optem pela segunda alternativa.

Parte do que se entende por itinerário formativo, também está conectado com esse modelo onde eles refletem sobre a profissão. “Essa nova estrutura valoriza o protagonismo juvenil, uma vez que prevê a oferta de variados itinerários formativos para atender à multiplicidade de interesses dos estudantes: o aprofundamento acadêmico e a formação técnica profissional.”

Vale lembrar que o mercado de trabalho como um todo, já se encontra voltado para as competências. Isso porque em um mundo de rápidas transformações e incertezas, é preciso ensinar para além do conteúdo em si. Dessa forma, vemos um novo direcionamento de habilidades socioemocionais conectado com o futuro profissional dos jovens.

 

Ensino à distância

Outro ponto amplamente discutido sobre o Ensino Médio, tem sido o Ensino à distância. Até agora, não há uma obrigatoriedade definida. O ensino à distância é uma opção para as redes de ensino, que podem adotá-lo ou não.

Porém, a preferência é de que seja implementado para os itinerários formativos, mediante suporte tecnológico e pedagógico.

Ainda assim, a maior parte do currículo deverá ocorrer em aulas presenciais. No ensino diurno, a carga máxima à distância deverá ser de 20%, enquanto para o ensino noturno pode alcançar até 30% do tempo.

 

Como você está se preparando?

Considerando o prazo de implementação até 2022, é preciso olhar a BNCC do Ensino Médio como um novo propósito de educação para nossos jovens. Com certeza até lá, serão muitas as transformações práticas e possibilidades.

Portanto, o primeiro passo para os educadores, é se direcionar juntos para este novo norte onde o objetivo principal é gerar cidadãos preparados para os desafios do mundo em que vivemos, colocando o bem-estar humano, social e ambiental como centro de prioridade.

Deixe nos comentários sua opinião sobre a BNCC do Ensino Médio e também as mudanças que você acredita para esta etapa!

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