As 10 habilidades profissionais mais exigidas do mercado

Gestão Escolar

O Sistema de Ensino atual ainda é norteado pelas notas em avaliações. Não se pode negar que, em geral, esse é um dos principais parâmetros para o sucesso escolar. Um dos motivos, é sem dúvida, a preparação para os vestibulares, diretamente ligados ao mercado de trabalho.

Porém sabemos que o mercado de trabalho, em constante transformação, exige muito mais do que conhecimentos adquiridos na faculdade. Hoje as habilidades profissionais que dizem respeito às atitudes estão se destacando até mesmo com relação aos conhecimentos específicos.

Infelizmente, há consequências do desalinhamento de objetivos entre as fases de estudo e trabalho. Muitos estudantes se encontram desnorteados até mesmo para escolher sobre sua área de atuação. Falta autoconhecimento necessário para avaliar o seu próprio perfil de potenciais e habilidades. Muitas vezes as escolhas de carreira ainda se pautam por pressões financeiras, de status ou de família.

De acordo com o Senso da Educação divulgado em 2015 relativo à trajetória dos estudantes nas universidades, as taxas de desistência vão aumentando conforme os alunos progridem no curso. A pesquisa realizada entre um ciclo de estudo de 2010 a 2013 revelou que em 2010, 11,4% dos matriculados desistiram. Em 2011, ano seguinte, a taxa sobe para 27,1%. Em 2012, aumenta para 36% e no último ano chegou a um porcentual de 43%.

Mesmo quando existe uma escolha assertiva, há dificuldade de driblar os diversos desafios emocionais do cotidiano encontrados em qualquer profissão.  Sem se dar conta de estarem em constante avaliação comportamental, alguns acabam cometendo erros a nível de demissão.

Quais seriam então as habilidades mais importantes a serem desenvolvidas desde o Ensino Básico? Como ajudar os alunos a fazerem melhores escolhas de trabalho e se adequem verdadeiramente ao mercado? Listamos aqui algumas das mais relevantes!

1. Autocontrole e Autoconhecimento

Essas duas habilidades se mostram muito relevantes ainda antes da entrada efetiva no mercado. Afinal escolher uma profissão é um grande desafio acompanhado por diversas pressões individuais e sociais. Apenas uma pessoa com autoconhecimento saberá tomar essa decisão com maior clareza ao traçar seu perfil individual completo.

Nesse momento não se pode levar em conta apenas conhecimentos intelectuais, mas também suas capacidades cognitivas, sociais e emocionais. O autoconhecimento também ajudará a identificar quais potenciais e desafios que necessitam ser trabalhados para se adequar a determinada profissão.

Além disso, é importante o autocontrole para evitar tomar decisões impulsivas e não cair nas taxas de desistência entre universitários. Caso não exista clareza a partir do autoconhecimento, o autocontrole ajuda a aprender esperar e agir de maneira mais ponderada.

Já no mercado, essas duas habilidades devem persistir no dia-a-dia a todo momento. Quem possuir autocontrole e autoconhecimento poderá identificar melhor inclusive as outras habilidades em si. Dessa forma será possível ressaltar o que for positivo e evoluir diante das dificuldades, sem apenas se deixar levar pelos impulsos emocionais.

 

2. Ética

Outra habilidade fundamental é a ética. A ética representa um verdadeiro divisor de águas pois irá nortear toda a vida de uma pessoa até os menores detalhes.

Quem não possui ética pessoal dificilmente a terá no trabalho. O senso ético diz respeito ao impacto das suas atitudes nas relações interpessoais e no mundo.

Também está diretamente relacionado à empatia e ao direcionamento para o bem comum. Por exemplo, uma pessoa sem ética no trabalho, é capaz de prejudicar um colega de equipe para se sobressair. Em uma escala macro, é alguém que não se importaria em gerar um impacto ambiental negativo para gerar mais lucros para a empresa.

Geralmente a análise da ética profissional, também está ligada a cultura da empresa. Apesar de algumas atitudes éticas serem óbvias, como a honestidade, outras variam de acordo com valores específicos. Porém há cada vez menos tolerância no mercado para pessoas antiéticas e por falta de autoconhecimento algumas delas sequer identificam essa deficiência em si mesmas.

 

3. Flexibilidade

Levando-se em conta um mundo globalizado e informatizado em constante transformação, ser flexível já quase não é uma opção. Seja para acompanhar as mudanças de clientes, empresas, setores e também do mercado.

Os profissionais muito rígidos e que possuem dificuldades de se adaptar rapidamente, logo tornam-se defasados. Para além da flexibilidade nas habilidades técnicas que precisam ser aprendidas, ela é válida para valores e comportamento.

Um dos grandes exemplos em que a flexibilidade se evidencia é diante do choque geracional muito comum nas empresas. Tanto os mais velhos precisam ser flexíveis a uma cultura e valores mais jovens quanto o contrário.

Em nenhum lugar se encontram pessoas totalmente alinhadas às nossas personalidades e objetivos. Diante de uma diversidade tão grande de gerações, etnias, religiões, cultura, entre tantas opções, ser inflexível também pode atrapalhar inclusive as relações de equipe.

Portanto, é essencial abandonar um pouco do seu ponto de vista quando necessário em busca de um ambiente mais saudável.

 

4. Comunicação

Comunicação é a arte de saber expressar-se e ser compreendido tanto quanto de ouvir e compreender. A comunicação nunca é unilateral e sempre pressupõe uma troca seja de ideias, informações ou até emoções.

A partir do momento em que existem falhas na comunicação, todos os resultados podem ser prejudicados em diferentes esferas. Um exemplo de problema de comunicação é o seu excesso, que representa falta de objetividade e assertividade na transmissão do conteúdo. Um dos problemas em que isso implica é o de consumo do tempo das pessoas envolvidas, hoje um recurso tão valioso.

No caso de um ambiente corporativo, e-mails muito longos, muitas reuniões e até mais feedbacks do que o necessário podem diminuir a produtividade dos funcionários.

O contrário também é verdadeiro, falta de comunicação pode ser ainda pior e gerar erros de graves consequências.

Por isso as empresas buscam pessoas que saibam se comunicar bem com seus pares, líderes e equipe de maneira coerente, respeitosa e objetiva.

 

5. Comprometimento e Engajamento

Algumas pessoas aparentam comprometimento quando enxergam o trabalho apenas como obrigação. Porém o ideal é que o comprometimento e o engajamento sejam cada vez mais espontâneos. Com o tempo, é algo que se torna nítido.

Assim, o verdadeiro engajamento está ligado à habilidade do autoconhecimento. Isso porque é preciso fazer escolhas que estejam integradas aos seus valores e propósitos. Diferente da ética, essa habilidade não pode ser simplesmente transferida para qualquer setor.

Cada um irá desenvolver uma relação única de comprometimento de acordo com seus interesses. Então o profissional que escolher bem a profissão, o formato e até uma empresa que se adeque à sua visão irá facilitar muito sua relação de comprometimento com o trabalho.

Essas habilidades também pressupõem a responsabilidade com que essa pessoa enxerga suas funções. Nessas horas, não importa o quanto se domina o assunto. Se não houver engajamento, não há avanço e muito menos reconhecimento.

Não é difícil achar profissionais com alto comprometimento que se destacam em relação àqueles que “sabem mais”.

 

6. Trabalho em Equipe

Essa habilidade está diretamente ligada à comunicação, porém não significa a mesma coisa. Para trabalhar bem em equipe é necessário não apenas se comunicar com eficiência com os pares, mas também cooperar mutuamente.

Para isso, é preciso ter empatia para entender as “dores” do outro e colaborar na resolução de problemas que dizem respeito aos objetivos em comum do grupo.

Quem foca apenas no seu trabalho pode ser lido com uma pessoa individualista, o que não combina em nada com o mundo de hoje.

O trabalho em equipe é uma das habilidades mais valorizadas de um profissional qualificado.

 

7. Planejamento

Não é incomum encontrar perfis de pessoas que parecem viver um dia após o outro. Apesar de a flexibilidade e a espontaneidade também serem bem-vindas, a verdade é que uma vida totalmente sem planejamento tende ao fracasso.

Especialmente dentro de uma empresa, em que precisamos lidar com metas, prazos e resultados, o planejamento e a organização são sempre qualidades bem-vindas.

Geralmente essa é uma habilidade que as pessoas desenvolvem tardiamente, já na fase adulta, quando descobrem que precisam de planejamento financeiro, de trabalho e até mesmo familiar. E não à toa possuem tanta dificuldade em se organizar e direcionar planos a curto, médio e longo prazo.

O ideal é que mesmo na infância as crianças possam ser estimuladas a se planejarem ainda que a curto prazo. Se recebem mesada, podem se planejar sobre como gastar o dinheiro ao longo do mês, por exemplo.

O planejamento não só ajuda a ter uma visão mais clara sobre o todo e atingir resultados assertivos, como também a otimizar o tempo e lidar com imprevistos.

 

 8. Autonomia

A autonomia também é uma outra habilidade que muitos só começam a desenvolver na fase adulta. Um dos principais motivos é porque o próprio sistema de ensino hoje e as famílias possuem dificuldade em estimular essa habilidade.

Ao entenderem que uma criança é dependente de pais e educadores, os adultos se esquecem de que a autonomia pode e deve ser desenvolvida desde cedo. Começando pelo pensamento crítico e independente, partindo para algumas atitudes cotidianas.

O mais comum é acontecer uma passagem um pouco brusca entre o período da adolescência e a vida adulta. Enquanto na escola os alunos são quase sempre direcionados, no mercado precisam ser autônomos e independentes.

Quer seja um empreendedor, um autônomo de fato, um líder ou ainda um funcionário, a autonomia reforça o protagonismo de profissionais mais proativos e que se responsabilizam por suas ações. É um habilidade intrínseca que não se atinge simplesmente por se chegar na fase adulta caso não tenha sido trabalhada antes.

 

9. Competitividade

A competitividade pode até ser vista com uma característica um pouco agressiva e as vezes até negativa. Porém, é através dela que as pessoas se mantém inovadoras e motivadas a fazer sempre melhor.

É possível trabalhar a competitividade saudável, que respeite outras habilidades como a ética e o trabalho em equipe. As vezes a competitividade não está atrelada aos outros, mas sim a fatores, resultados e até a você mesmo.

Você pode competir contra as suas fraquezas para ser alguém melhor e mais eficaz por exemplo. Pode competir com resultados de baixa performance do passado ou qualquer outra coisa em que queira enxergar avanços por meio de uma determinada “comparação”.

Ter visão de competitividade ajuda os profissionais a ter energia para se superar, que é o oposto da inércia. É uma habilidade que traz a vontade de vencer e por isso o mercado também valoriza.

 

10. Resiliência

A resiliência é um convite à capacidade de compreensão e adaptação mediante a situações desagradáveis que fogem ao nosso controle. Seja um feedback negativo ou mesmo um resultado não atingido.

As pessoas resilientes compreendem essas nuances entre “ganhos e perdas” e mesmo que se sintam atingidas quando a balança não pende a seu favor, logo retornam ao seu estado habitual. Basicamente, elas não desistem nos primeiros desafios.

A imprevisibilidade e as pressões constantes a que todos estão submetidos seja no trabalho ou qualquer lugar, reforça a resiliência como uma estrutura emocional de profissionais mais maduros.

 

Novas Dinâmicas de Sucesso

Essas habilidades enfatizam as novas dinâmicas não só de contratação como de sucesso profissional. No lugar de resultados quantitativos orientados apenas por números, agora o mercado também se direciona por resultados qualitativos. Aos poucos, aumenta-se a necessidade de valores pessoais e profissionais.

Ou seja, não é possível mais crescer a qualquer custo. De nada adianta trazer resultados financeiros desalinhados à propósitos e cultura organizacional.

As habilidades a nível tático até podem ser vistas como um possível ponto de desenvolvimento. O exemplo são empresas que preferem contratar profissionais inexperientes para então moldá-los. Já as atitudes ainda são vistas como intrínsecas aos seres humanos.

Sim, elas também podem ser desenvolvidas. A diferença é que exigem uma educação mais complexa a longo prazo durante toda a vida. Considera-se que as bases começam na infância e na juventude. Assim, nenhuma empresa entende que as atitudes arraigadas de um ser humano, irão mudar de um dia para outro e dificilmente uma empresa se submete a esperar.

O que significa que a procura é maior por profissionais preparados a níveis de atitudes através de competências e habilidades.

Cabe então às famílias e às escolas, desenvolverem um aprendizado mais condizente à essa realidade desde a primeira infância. Caso contrário, aumentam-se as frustrações cotidianas na vida adulta. Afinal, os alunos de hoje irão ser cobrados no mercado de trabalho, por um “treinamento” que nunca receberam.

De que maneira a sua escola está preparando esses futuros profissionais?

 

 

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