Os riscos das telas para os Nativos Digitais!

Gestão Pedagógica

Os riscos das telas para os Nativos Digitais! Seus alunos fazem parte do que está sendo chamado de geração dos “nativos digitais”?

Se você nunca ouviu falar nisso, o conceito é simples. Nativos Digitais seriam crianças e jovens nascidos já irmersos no universo tecnológico. Por isso, teriam capacidades cognitivas mais adaptadas a essas tecnologias. Para esse grupo, portanto, a alta exposição a telas e tecnologia traria apenas benefícios no desenvolvimento congnitivo.

Mas será que isso é verdade?

Os riscos da telas para os nativos digitais – De acordo com o neurocientista Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, o conceito de “nativos digitais” não tem qualquer embasamento científico.

Em seu livro “A Fábrica dos Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças”, recém-lançado no Brasil, o neurocientista é categórico em afirmar: quanto maior o investimento dos sistemas educacionais em tecnologia digital, pior é o desempenho acadêmico dos alunos em Matemática, Linguagem e Ciências.

Em seu livro, Desmurget cita dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) para sustentar essa afirmação.

Por que o rendimento acadêmico cai?

O livro escrito pelo neurocientista francês traz dados alarmantes sobre o tempo que crianças e jovens passam diante das telas. Segundo esses dados, jovens entre 13 e 18 anos de idade usam aparelhos digitais por aproximadamente 8h30 por dia. Ou seja, eles passam mais de um terço de um dia diante das telas. Desse total, porém, o tempo utilizado para estudos e dever de casa é de em media uma hora por dia. O restante é usado em jogos, filmes e redes sociais.

Desmurget sustenta que o uso prolongado das telas acarreta em problemas como déficit de atenção, distúrbios de concentração e impulsividade.  A combinação desses problemas leva a queda no desempenho escolar.

O livro traz também os tempos gastos por crianças de outras idades em frente às telas: os pré-adolescentes (8 a 12 anos) passam em media 5h20 por dia em aparelhos, dos quais apenas 20 minutos dedicados a trabalhos acadêmicos; as crianças de 5 a 8 anos gastam em media 3h05 em frente às telas, das quais apens 5 minutos são dedicados aos estudos.

Culpa da pandemia?

Michel Desmurget não concorda que a pandemia de Covid-19 seja responsável por esse quadro. Segundo o neurocientista, o uso exarcebado de telas para recreação já acontecia antes da crise sanitaria. Depois do fechamento das escolas, sustenta ele, houve até uma melhora no tempo de uso das tecnologias para trabalhos escolares. O problema, para o autor, reside no fato de que as tecnologias se mostraram ineficientes para substituir os professores em aulas presenciais. Segundo Desmurget, o governo francês insistiu em reabrir as escolas poucas semanas depois da suspensão das aulas porque percebeu rapidamente que Ensino digital era um fracasso pedagógico.

Os recursos tecnológicos devem ser banidos? ­

Embora traga todos os riscos das telas para os nativos digitais, a obra de Michel Desmurget não defende a total retirada dos recursos tecnológicos da educação. Segundo o neurocientista, as crianças devem aprender as habilidades básicas para utilizar recursos tecnológicos em seu dia a dia.

O problema maior, para Desmurget, está no uso exagerado para recreação. Ele cita em seu livro um estudo que relacionou o uso de videogames e televisão com a diminuição da capacidade de memorização.

Nesse estudo, jovens de 13 anos receberam uma lista de palavras para memorizar. Em seguida, foram divididos em três grupos. Um deles, o de controle, fez qualquer atividade que não incluisse tela pela hora seguinte. No outro grupo, os jovens assistiram a uma hora de televisão e no terceiro grupo, eles passaram esse tempo jogando videogame.

No dia seguinte, os pesquisadores contaram a quantidade de palavras esquecidas pelos jovens de cada grupo. Os integrantes do grupo de controle esqueceram 13% das palavras da lista. Entre os que assistiram televisão, o percentual foi de 39%. Os que jogaram videogame esqueceram 47% das palavras da lista.

Uma maneira de driblar isso seria usar os games para aprender. Confira neste outro post, os benefícios mentais e emocionais dos jogos de raciocínio online.

Como reduzir os riscos das telas para os nativos digitais?

Em seu livro, Desmurget defende que é preciso reduzir o tempo dedicado a aparelhos digitais e traz 7 regras básicas para atingir esse objetivo:

  1. Suspender totalmente as telas para crianças com menos de 6 anos.
  2. Estabelecer tempo médio de uso entre 30 e 60 minutos por dia para crianças maiores de 6 anos.
  3. Permitir o uso de apenas um aparelho por vez.
  4. Acesso a conteúdos inapropriados para a idade proibido.
  5. Uso de dispositivos pela criança ou jovem no quarto, principalmente quando estiver sozinho, proibido.
  6. Proibir o uso imediatamente antes de dormir.
  7. Proibir o uso antes de ir para a escola.

Desmurget alerta que, para que as regras tenham sucesso, é importante envolver as crianças na construção dessas restrições, porque quando entendem que o objetivo não é puni-las nem frustrá-las, as crianças tendem a seguir as regras com maior tranquilidade.

Para saber mais

O livro “A Fábrica dos Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças” foi lançado no Brasil pela editora Vestígio, tem 352 páginas e está disponível em versão impressa e digital. Clique aqui para conhecer mais sobre a obra.

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