O papel do professor na era da infodemia

Gestão Pedagógica

O papel do professor na era da infodemia. A pandemia de Coronavírus que parou o mundo em 2020 e fechou nossas escolas por quase um ano e meio serviu de catalisador para um outro fenômeno que se desenhava desde a popularização das redes sociais: a Infodemia.

Você nunca ouviu esse termo? O que isso tem a ver com você, professor?

No nosso post de hoje, vamos apresentar esse fenômeno e levantar o questionamento de como nós, educadores, devemos nos comportar para lidar com ele.

O que é infodemia?

O fenômeno chamado de Infodemia nada mais é do que um surto de desinformação. Ele se aproveita da pulverização da autoria, causada pela popularização de ferramentas de produção (smartphones) e de plataformas de publicação (redes sociais) para disseminar conteúdo falso e, muitas vezes, mentiroso. Em outras palavras, é uma espécie de pandemia de fakenews.

Quem criou o termo foi a Organização Mundial da Saúde, num relatório sobre a pandemia de Covid-19 em que classificou: “A eclosão do Covid-19 e as reações geradas têm sido acompanhadas de uma massiva ‘infodemia’ — uma superabundância de informação, algumas precisas e outras não — que torna difícil para as pessoas encontrarem fontes e orientações confiáveis quando precisam”.

Qual o papel do professor na era da infodemia?

Nesse contexto do mundo digitalizado, com excesso de informações, o professor precisa começar a entender seu lugar no processo educativo como o de um curador do conhecimento.

Essa função deve ser entendida de forma ampla. Um curador é aquele que seleciona, organiza e supervisiona os conteúdos que devem ser apresentados. Esse papel, no caso do professor, não deve se encerrar aí. É importante que ele exerca também a curadoria no sentido legal, como a pessoa que representa os interesses de outros incapazes de fazê-lo – no caso, os alunos.

A geração digital não aprende tudo sozinha?

Essa é uma crença típica dos tempos de Infodemia que precisa ser derrubada. As crianças e jovens, mesmo que tenham nascido já na era digital e estejam habituadas ao uso intensivo de internet, não têm condições de aprender tudo sozinhas e de maneira autônoma.

Quer provas disso? Vamos a elas.

Segundo um relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em maio de 2021, 67% dos estudantes brasileiros de 15 anos não sabem diferenciar fatos de opinião. O relatório se baseia nos dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

Em outras palavras, sem um professor curador que selecione textos e os ensine a reconhecer as características dos diferentes tipo de construção narrativa, jovens da geração digital não conseguem aprender sozinhos a diferenciar fatos de opiniões.

Quer mais um exemplo?

Pesquisa realizada pela Fiocruz tentou medir o conhecimento dos jovens sobre dois medicamentos básicos de saúde pública: antibióticos e vacinas. O resultado mostrou que 60% dos jovens entrevistados no país desconhecem a finalidade dos antibióticos e 25% acreditam que as vacinas são perigosas para crianças.

Facilitador em tempos digitais

Em outras palavras, o que dados estarrecedores como esses nos mostram é que, onde falta professor e abunda tecnologia, a aprendizagem naufraga.

Num ambiente de abundância de informação – muitas vezes, sem procedência e intenções claras –, o professor deve assumir o papel de curador para guiar crianças e jovens no desenvolvimento de habilidades que os ajudarão a mediar a relação com os conteúdos.

Em tempos digitais, nós, educadores, precisamos repensar nossas práticas para que possamos atuar como facilitadores dessa interação com o universo digital.

O professor está pronto para mais esse papel?

Sempre que uma nova questão surge, a sociedade, de forma geral, olha para a escola e para os professores em busca de soluções. Como se esses profissionais fossem os mais versáteis, capazes de se adaptar a tudo em tempo recorde.

Nós, que atuamos no mundo da educação, sabemos que não é assim.

A formação de nossos docentes precisa ser repensada para que os professores possam atuar como curadores, com pleno conhecimento de conceitos midiáticos e digitais.

É um longo caminho, que depende de políticas públicas assertivas. É importante, porém, trazer o professor para o centro desse debate.

Afinal, se é verdade que sem médicos não se faz saúde e sem advogados não se faz leis, também verdade que sem professor, não se faz nada.

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1 Comentário. Deixe novo

  • Muito bem colocado esse conteúdo, essa grande informação, gostei muito. E é verdade que sem o professor nada será resolvido. Nada será feito.

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