O poder do lúdico na sala de aula

Gestão Pedagógica

Brincar é o trabalho da criança.

Essa frase, que certa vez ouvi de uma professora numa escola que visitei, muito anos atrás, jamais me saiu da cabeça. Eu nunca havia parado para pensar nisso, até então, mas aquela frase me despertou para o imenso poder do lúdico na vida dos alunos. Pois é brincando que eles aprendem, não apenas os conteúdos formais, mas também uma extensa gama de habilidades socioemocionais de que vão precisar ao longo da vida.

Ao brincar, a criança desenvolve empatia, relações sociais, simula e passa a entender os diferentes papéis sociais no mundo e, o melhor de tudo: se desenvolve, aprende e amadurece enquanto se diverte! Por todas essas razões, o lúdico é uma poderosa ferramenta pedagógica.

Confira a seguir cinco benefícios de trabalhá-lo em sala de aula:

1. Desenvolve a observação do mundo

Uma das clássicas manifestações do lúdico, e que começa já na primeira infância, é o faz de conta. Assim, brincar de mentirinha, fingindo ser pirata, super-herói, mãe, médica, cavaleiro, um bicho – o limite é a imaginação – é um processo bem mais complexo e estruturado do que pode parecer. Do mesmo modo, entrando em papéis diferentes – e imaginando utilizações diferentes para objetos, como um lençol que se transforma em capa ou uma vassoura que vira um cavalo – a criança descobre o mundo à sua volta e como a vida funciona. Dessa forma, ela deixa de enxergar apenas a si mesma e passa a perceber, de forma ativa, o universo ao seu redor.

2. Melhora a compreensão das relações sociais

Essa mesma brincadeira, que com o devido aumento de complexidade se estende até os 10, 12 anos, permite que a criança construa sua compreensão dos papéis sociais no mundo. A mamãe, por exemplo, descobre que é preciso cuidar do bebê; a professora precisa aprender a ensinar seus alunos; e o super-herói precisa ajudar aos outros! Assim, toda uma rede relações e significados vai se formando e fortalecendo a compreensão da forma como mundo funciona.

3. Estimula a empatia

Esses papéis do faz de conta, ao mesmo tempo, ampliam o contato com as outras crianças e proporcionam a experiência de se colocar no papel do outro, compreendendo suas necessidades e pontos de vista. À medida em que eles crescem, outras atividades lúdicas substituirão o faz de conta, como a leitura e os jogos de tabuleiro, que também são excelentes ferramentas para desenvolver a empatia.

4. Auxilia na aquisição da linguagem

Assim como o faz de conta, a linguagem também é uma construção simbólica. Em ambos os casos, a habilidade de representar o mundo de forma simbólica é mobilizada pela criança. Por isso, elas começam a brincar bem cedo de mentirinha, mais ou menos na mesma época em que estão ensaiando suas primeiras palavras. E quanto mais embarcam nesse universo lúdico, melhor desenvolvem a linguagem, chegando mais prontas para a alfabetização. Mais tarde, o lúdico – por meio da leitura de ficção, por exemplo – continuará atuando no fortalecimento dessa linguagem.

5. Amplia as capacidades de comunicação e cooperação

Tanto no faz de conta, como nas brincadeiras de roda e nos jogos de tabuleiro, o lúdico vai exigir a mobilização da atenção no que o outro faz, ou diz, bem como, a capacidade de comunicar claramente aos demais participantes o que se está fazendo, para que a brincadeira aconteça. Trabalhar em conjunto e cooperar em busca de um objetivo são duas habilidades mobilizadas nesse tipo de interação, mesmo que não sejam chamadas dessa forma na primeira infância.

Como estimular o lúdico?

Agora que você já repassou alguns dos benefícios de recorrer ao lúdico, confira a seguir algumas dicas práticas sobre como criar um ambiente que favoreça essa mobilização do lúdico em favor da aprendizagem das crianças.

Recorra aos livros e à contação de histórias – As histórias estimulam a criatividade e libertam a imaginação ao apresentar novos mundos e universos.

Use jogos – Os jogos permitem a simulação de situações reais da vida, em que a criança e o jovem precisam aprender a lidar com adversidades e emoções, tanto positivas quanto negativas. Dessa forma, são uma excelente ferramenta de desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como a gente sabe muito bem aqui na Mind Lab. 😉

Faça parte da brincadeira – A participação do adulto, principalmente do professor, em quem eles se espelham na fase de formação, é fundamental para estimular a entrada da criança no universo imaginário, além de permitir que você conduza a experiência para os seus objetivos pedagógicos. Apenas cuide para não se tornar o(a) dono(a) da brincadeira, ou correrá o risco de reprimir o lúdico que vem espontaneamente deles.

Monte cantinhos na sala de aula – Havendo a possibilidade, de fato, e adaptando à idade com que você trabalha, pense em cantinhos de faz de conta na sua sala. Pode ser uma casinha, um castelo, um consultório médico, uma escolinha, um cantinho de livros… Ou a “arena dos desafios”, com jogos de tabuleiro, se você trabalha com crianças mais velhas. Afinal, o limite é a imaginação.

Escolha bem os brinquedos usados – Excesso de estímulos em direções opostas tendem a limitar a capacidade da criança de embarcar na viagem da imaginação. Assim, trabalhe com cuidado a escolha do que será oferecido a cada dia.

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