Educação socioemocional: tudo que você sempre quis saber

Matrícula

Tire todas as suas dúvidas sobre a educação socioemocional, as habilidades essenciais para a vida e como a escola pode ajudar a desenvovê-las

Durante muito tempo, sucesso na educação era sinônimo de boas notas em provas que mediam a “aquisição” de conteúdo.

Se o desempenho mostrado era fruto de aprendizagem real, ou apenas reflexo de um esforço intenso para decorar conceitos e fórmulas, era difícil dizer.

Mesmo assim, a nota era universalmente aceita como medida de bom aproveitamento escolar. E continua sendo assim até hoje, em grande parte das escolas do mundo.

O que a prática ao longo dos anos mostrou, entretanto, é que sucesso na educação focada em conteúdos nem sempre é sinônimo de sucesso na vida profissional.

Muitas vezes, pessoas altamente capacitadas do ponto de vista cognitivo se revelam incapazes de prosperar em bons empregos e assim alcançar a realização plena, tanto na vida profissional quanto na pessoal.

Sendo assim, falta a essas pessoas, muitas vezes, a capacidade de se relacionar com os outros e com elas mesmas.

Hoje, graças aos avanços trazidos por estudos acadêmicos, já sabemos que sucesso na educação certamente é algo maior do que boas notas.

Além de componentes curriculares e do desenvolvimento cognitivo, a educação para o futuro também precisa ensinar crianças e jovens a conviver, a ser, a aprender e a fazer.

É aí que entra a Educação Socioemocional. Uma abordagem que, sem abrir mão do desenvolvimento cognitivo , se propõem também a desenvolver em crianças e jovens as habilidades essenciais para a vida.

No texto de hoje, você vai conhecer tudo sobre Educação Socioemocional. Como se desenvolveu a partir dos anos 1980, quais são as habilidades essenciais para a vida, como a BNCC inclui essa abordagem nos currículos escolares e de que forma ela já é aplicada no dia a dia de muitas escolas.

Em resumo, tudo o que você sempre quis saber sobre educação socioemocional.

Como surgiu a Educação Socioemocional?

Aspectos emocionais e sociais associados à educação sempre estiveram no foco de grandes pensadores da educação, como Lev Vygotsky (1896-1934), Jean Piaget (1896-1980), Carl Rogers (1902-1987) e David Ausubel (1918-2008), apenas para citar alguns dos clássicos.

O conceito de que essas habilidades também poderiam ser aprendidas, porém, começou a se formar a partir de 1990.

Naquele ano, dois professores da Universidade de Yale, Peter Salovey e John Mayer, publicaram um artigo em que classificavam como inteligência a habilidade de reconhecer, entender, utilizar e regular emoções em situações cotidianas na vida. Os dois batizaram a teoria como Inteligência Emocional.

Quatro anos depois, em Israel, a Mind Lab foi fundada com o intuito de desenvolver essa inteligência por meio do uso de jogos de raciocínio.

O termo inteligência emocional, entretanto, seria popularizado mesmo a partir de 1995, quando o jornalista e psicólogo Daniel Goleman o empregou no título de seu livro, um best-seller até os dias de hoje. 

Nos anos que se seguiram, algumas das melhores universidades do mundo passaram a produzir estudos nos campos da Educação, Psicologia e Neurociência que provaram a importância das habilidades socioemocionais principalmente para a melhoria das habilidades cognitivas.

Esses estudos foram fundamentais para dar impulso à Educação Socioemocional e levá-la a despertar a atenção da Organização das Nações Unidas.

No Fórum Mundial sobre Educação realizado em Dakar em 2000, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) estabeleceu como pilares da educação para o Século 21 as seguintes habilidades:

1ª Aprender a aprender

2ª Aprender a fazer

3ª Aprender a conviver

4ª Aprender a ser.

Era o conceito que daria base para o que passou a ser conhecido como Educação Integral – uma corrente que reconhece a necessidade de educar crianças e jovens não apenas em suas habilidades cognitivas, mas também nas habilidades sociais, emocionais e éticas.

Apenas o desenvolvimento integral, que ajuda as crianças e jovens a conhecer e explorar as chamadas habilidades essenciais para a vida, pode preparar esses “adultos do amanhã” para enfrentar as necessidades dos novos cenários social e profissional que se desenham para o mundo.

Quais são as habilidades essenciais para a vida?

Por anos e anos, enquanto o currículo formal se fechava sobre conteúdos cognitivos, as habilidades essenciais ficaram relegadas a um plano informal, fazendo parte do currículo oculto. Havia um entendimento de que elas se desenvolveriam naturalmente pelo convívio social escolar e pelo convívio familiar, dissociados do ambiente puramente pedagógico das instituições escolares.

Graças à Educação Socioemocional, esse entendimento hoje está superado.

As habilidades essenciais para a vida podem e devem ser ensinadas e estimuladas por professores formados para enxergar o desenvolvimento integral de seus alunos.

E quais são essas habilidades?

De maneira bem resumida, elas podem ser divididas em 4 categorias:

Habilidades cognitivas – Todas as habilidades que exigem a mobilização de conhecimentos e a sinapse entre diferentes saberes na busca da realização de nossos objetivos. Só para exemplificar, podemos citar: planejamento estratégico, tomada de decisões, raciocínio lógico, resolução de problemas e pensamento criativo.

Habilidades sociais ­– Sabe aquela capacidade de se relacionar com as pessoas e as situações ao se redor com o intuito de a facilitar a realização de nossos objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais? Estamos falando exatamente das habilidades sociais, que incluem, entre outras, as capacidades de cooperação e colaboração, empatia, trabalho em equipe, manter uma postura positiva diante de adversidades, se comunicar de forma clara e coerente, bem como resolver conflitos.

Habilidades emocionais ­– Além de se relacionar com o outro, todos nós precisamos aprender principalmente a lidar com nossas emoções e sentimentos para nos mantermos em equilíbrio diante de situações desafiadoras. Entre as habilidades emocionais, podemos listar por exemplo a autoavaliação, o autoconhecimento, a autoconfiança, a capacidade de aprender com os erros e o equilíbrio para lidar com o ganhar e o perder.

Habilidades éticas – Ninguém será plenamente produtivo se não for capaz de compreender o conjunto de valores sobre o qual construímos a sociedade em que vivemos. Para atuar de forma positiva sobre esses valores, é preciso desenvolver habilidades éticas. Alguns exemplos são as capacidades de respeitar ao próximo, aceitar a diferença, compreender a importância do meio socioambiental e atuar de forma positiva para o bem comum, por exemplo.

Todas essas habilidades trabalham integradas e são fundamentais para a realização plena de nossos jovens e crianças como seres atuantes na transformação do mundo.

Sobre isso, não restam mais dúvidas no mundo da educação. Tanto é assim, que a BNCC fez questão de incluir a Educação Socioemocional como pilar fundamental dos currículos escolares. Mas esse já é o tema do nosso próximo tópico.

Como a BNCC inclui essas habilidades nos currículos escolares?

A educação brasileira entrou em transformação a partir da aprovação da Constituição de 1988. Desde então, foram muitos os avanços alcançados e sobre isso não há contestação. Um dos principais foi a inclusão nos marcos regulatórios da ideia de uma educação integral, que contemple as habilidades socioemocionais.

Essa ideia veio se fortalecendo gradativamente. Iniciou com uma menção tênue, em 1996, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que pregava, em resumo, a necessidade de “fortalecimento dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca”, até ganhar amplo espaço na Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, que teve sua primeira etapa aprovada em 2017, para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental.

A noção de que cognição e emoção não podem ser abordadas separadamente permeia todas as 10 Competências Gerais  se espera dos jovens ao final a escolarização básica.

E o socioemocional ganha ênfase ainda mais destacadas em quatro delas. Confira a redação dessas 4 competências:

“7. Argumentação – Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental em âmbito local, regional e global. Com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8. Autoconhecimento e autocuidado – Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional. Reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas e com a pressão do grupo.

9. Empatia e Cooperação – Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro. Com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades. Sem preconceitos de origem, etnia, gênero, idade, habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de qualquer outra natureza. Reconhecendo-se como parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer.”

10. Responsabilidade e Cidadania – Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação. Tomando decisões, com base nos conhecimentos construídos na escola, segundo princípios éticos democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.”

A partir desse norte, cada escola tem liberdade para decidir o seu currículo, escolhendo estratégias para atingir as habilidades esperadas em cada faixa etária. E muitas já trabalham a Educação Socioemocional em seu dia a dia por meio de diversas estratégias.

Como a Educação Socioemocional é aplicada no dia a dia das escolas?

A BNCC não prevê um “componente curricular” exclusivo para Educação Socioemocional. Cada escola encontra seu caminho para promover o desenvolvimento das habilidades essenciais para a vida.

O ideal, porém, é que esse desenvolvimento aconteça no dia a dia da escola. Cada professor e cada professora deve aprimorar sua prática para trabalhar de maneira inovadora. E assim, criar oportunidades e mediando o desenvolvimento dessas habilidades em seus alunos e alunas. 

Esse aperfeiçoamento das práticas pedagógicas requer formação aos professores e professoras.

Nas mais de 10 mil escolas espalhadas por 21 países onde a Mind Lab já implementou sua metodologia, a formação de docentes é um dos pilares. Em 27 anos de atuação, mais de 185 mil educadores foram formados para atuar como mediadores no desenvolvimento das habilidades socioemocionais.

Os outros dois pilares do Programa MenteInovadora são o uso dos jogos de raciocínio e a aplicação de Métodos Metacognitivos.

Mediados pelos professores e professoras formados pelo programa, os alunos e alunas usam os jogos para vivenciar, num ambiente controlado, aspectos cognitivos e emocionais.

Na sequência, os Métodos Metacognitivos são acionados. Com o objetivo de ajudar crianças e jovens a refletir sobre as situações vividas, as emoções experimentadas, as reações desencadadeadas por elas.

Ao todo, o programa conta com 12 métodos metacognitivos que, além de facilitar a reflexão, indicam novas maneiras de lidar com as situações. Além de ajudar na transposição do conhecimento adquirido na experiência com os jogos para situações reais da vida.

Em todo o percurso, o papel do professor ou professora como mediador é fundamental. Isso possibilitará que o grupo aprenda a organizar pensamentos, emoções, atitudes e ações. Como resultado, ao final, crianças e jovens passam a entender melhor seus sentimentos e aprendem como lidar com eles de maneira mais assertiva.

É um trabalho contínuo, que se estende ao longo das diferentes etapas da Educação Básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio. A Mind Lab se orgulha de fazer parte dessa transformação do mundo. Somos parceira de escolas que, nos últimos 27 anos, usaram a metodologia para desenvolver sobretudo as habilidades socioemocionais em mais de 5,4 milhões de alunos.



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