O que podemos aprender com o Saresp

Gestão Escolar

O que podemos aprender com o Saresp.

Os dados mais recentes do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo, o Saresp, foram divulgados no início de março. E retratam uma realidade preocupante. Especialmente para os estudantes do Ensino Médio, neste ano em que a reformulação dessa etapa da educação básica começa a ser implementada.

As provas foram aplicadas nos dias 9 e 10 de dezembro de 2021 com questões de Matemática, Língua Portuguesa, Ciências da Natureza, uma redação e um questionário socioemocional. A primeira divulgação feita pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo trouxe apenas os resultados dos dois primeiros componentes curriculares. Os demais dados serão liberados até o final de março.

Ao todo, 642 mil estudantes do 5º e do 9º ano do Ensino Fundamental, e do 3º ano do Ensino Médio da rede pública estadual participaram da avaliação.

Resultados do Ensino Médio

Depois de dois anos de pandemia, com interrupção das aulas presenciais nas escolas e atendimento remoto nem sempre eficiente, os estudantes que concluíram o Ensino Médio em 2021 deixaram a escola com uma defasagem de quase 6 anos em Matemática.

Em outras palavras, os estudantes que saíram do 3º ano sabiam o mesmo que os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental. Foi o pior resultado nesse componente curricular desde 2011. A média de proficiência medida foi de 264,2 no ano passado, contra 276,6 há dois anos, antes da pandemia, e 270 em 2011.

Segundo os dados, 58,7% dos estudantes avaliados apresentaram desempenho abaixo do básico. Outros 37,9% se limitaram ao nível básico esperado e apenas 3,2% apresentaram desempenho adequado. No nível avançado, foram enquadrados apenas 0,2% dos alunos.

Em Língua Portuguesa, os prejuízos também foram grandes para os alunos que concluíram o Ensino Médio. A maioria deixou a escola com desempenho adequado para um aluno do 8º ano do Ensino Fundamental.

Segundo os dados, 39% desses estudantes apresentaram desempenho abaixo do básico, 37% se limitaram ao nível básico, 23,5% atingiram o nível adequado e apenas 0,5% demonstraram conhecimentos avançados.

Ensino Fundamental

Os resultados de Matemática também foram preocupantes entre os estudantes do 5º e do 9º ano do Ensino Fundamental.

No caso do 5º ano, a média de proficiência (210,2) se aproximou da verificada em 2013. O desempenho ficou abaixo do básico para 25,1% dos estudantes avaliados, outros 36,5% atingiram o nível básico, 28,4% apresentaram conhecimento adequado e 9,9% apresentaram conhecimento avançado.

Para o 9º ano, o desempenho nessas mesmas categorias foi: 34,2% abaixo do básico, 51,5% no básico, 12,5% no nível adequado e 1,8% apresentaram conhecimento avançado.

Em Língua Portuguesa, um estudante que concluiu o 5º ano em 2021 tinha proficiência esperada para um aluno do 3º ano. O desempenho de 19% dos avaliados ficou abaixo do básico. Outros 32,4% ficaram apenas no conhecimento básico. 32,8% tinham conhecimento adequado. E 15,8% demonstraram conhecimento adequado.

No 9º ano, esses índices foram: 19,4% abaixo do básico, 56,8% no básico, 20,8% no adequado e 3,1% no nível avançado.

O que podemos aprender

Esses resultados mostram o que todos os atores da educação, professores e gestores, já percebiam em suas salas de aula: a pandemia afetou a aprendizagem dos estudantes. O acesso aos dados quantitativos, porém, é importante para permitir às escolas e aos professores fazerem a identificação exata de onde estão as defasagens. Assim, podem atuar sobre elas de maneira mais assertiva.

A rapidez com que a Secretaria Estadual de São Paulo disponibilizou os dados é louvável, nesse sentido. Permite a professores e gestores atuar de forma efetiva para planejar a recuperação de seus alunos.

Diante dos dados paulistas, o Conselho Nacional de Educação recomendou o acompanhamento próximo dos estudantes do Ensino Fundamental. Com o objetivo de promover a recuperação as aprendizagens nos próximos anos.

No caso dos estudantes que deixaram o EM, a presidente do CNE, Maria Helena Guimarães Castro, defendeu a estruturação de programas de recuperação das defasagens. Mesmo para aqueles que já deixaram a escola. Ela insistiu, porém, na importância de reabrir e manter as escolas abertas em todos os estados do Brasil.

A secretaria estadual de Educação lembrou que, em São Paulo, os alunos que concluíram o 3º ano do Ensino Médio têm a opção de cursar um 4º ano, criado em 2020. Esse ano opcional seria uma oportunidade de manter o vínculo com a escola para recuperar as defasagens.

Apesar de os dados se referirem aos estudantes da rede pública estadual de São Paulo. É importante ressaltar que as defasagens de aprendizagem aconteceram em todas as escolas públicas e privadas do Brasil. Produzir dados sobre essa defasagem é a melhor maneira de permitir aos professores e professoras e às equipes gestoras das escolas o planejamento de ações de retomada das defasagens.

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