Nova Zelândia volta às aulas com currículo humano

Gestão Escolar

Nova Zelândia volta às aulas com currículo humano: regras mais brandas, flexibilidade para adaptações pelas escolas e menos conteúdos marcam o retorno às aulas presenciais no país.

A hora de voltar às aulas presenciais se aproxima e todos nós continuamos com muitas dúvidas. Nesta série de reportagens, o Educador360 vem apresentando as boas experiências de outros países que enfrentaram o fechamento das escolas e já retornaram às aulas presenciais a fim de nos inspirarmos com outras ações. Depois de explorar os exemplos de China, Dinamarca, Coreia do Sul  e França , hoje vamos estudar como as escolas reabriram na Nova Zelândia.

Exemplo mundial no controle da pandemia de Covid-19, a Nova Zelândia registrou até 15 de julho 1.545 casos confirmados da doença. Desse total, apenas 22 pessoas haviam morrido até aquela data, para que esse sucesso fosse atingido, o país recorreu a medidas extremamente restritivas que incluíram o fechamento completo de suas 2,5 mil escolas por 8 semanas.

No início, todos os estudantes entraram em férias coletivas por duas semanas. A partir de 15 de abril, com o país ainda em isolamento, as escolas voltaram às aulas de forma remota. Duas semanas depois, o nível de alerta havia baixado da fase 4 para a fase 3 e o governo determinou o retorno, em 29 de abril, dos estudantes que não tinham condições de acompanhar as aulas remotas em casa.

Finalmente, em 18 de maio, todos os 800 mil estudantes neozelandeses puderam retornar às escolas, quando o nível de alerta havia sido rebaixado para 2. Algumas regras gerais foram estabelecidas, mas todas as escolas tiveram liberdade para adaptá-las às suas realidades locais.

Confira a seguir as regras sugeridas pelo governo central às escolas.

Retorno opcional

A volta às escolas não foi obrigatória. O governo determinou que a retomada deveria ser “gentil”, tanto para estudantes quanto para professores, como resultado, possibilitou a opção de permanecer no atendimento remoto.

Saúde em primeiro lugar

Crianças e professores com o menor sintoma de resfriado, mesmo que fosse apenas um nariz escorrendo, eram orientados a permanecer em casa.

Conscientização dos estudantes

O governo investiu na produção de material audiovisual didático sobre as formas de contágio e hábitos de higiene que podem evitá-lo.

Máscaras opcionais

Diferentemente de outros países, a Nova Zelândia não obrigou alunos e professores a usar máscaras nem equipamentos de proteção. O uso era opcional. Tampouco foram implementadas medidas como aferição de febre, marcação de distâncias entre as carteiras ou álcool em gel nas salas de aula.

Sem aglomerações

As assembleias entre estudantes e professores foram suspensas ou reduzidas. Com o mesmo intuito de evitar aglomerações, as escolas escalonaram turmas em horários diferentes de intervalo e reorganizaram as rotinas de entrada e saída. Foram criados espaços para permitir que os pais apenas deixassem ou pegassem as crianças, sem a necessidade de estacionar e descer do carro.

Medidas de higiene

Os alunos são estimulados a lavar as mãos com maior frequência e cada um leva sua própria toalha para secá-las. Compartilhamento de lanches e objetos entre os estudantes é desaconselhado.

Limpeza do ambiente

Novas rotinas ampliaram a frequência de limpeza de ambientes escolares e de equipamentos, incluindo os de Educação Física.

Novo currículo

Com as restrições a aglomerações, a ênfase recaiu sobre trabalhos individuais em lugar dos coletivos. Mesmo nas aulas de Educação Física, os treinos se concentram em modalidades individuais. As escolas optaram por privilegiar o aspecto humano e o bem-estar, em detrimento do conteúdo.

Ensino híbrido

Como o retorno não era obrigatório, o modelo manteve as aulas remotas em funcionamento.

Depois da volta, a Nova Zelândia voltou a apresentar novos casos da doença em junho e julho. Os números, porém, foram baixos e importados, ou seja, em pessoas que chegavam de viagens internacionais. Sem qualquer relação, portanto, com a volta às aulas. O número de testes aplicados diariamente continua crescendo massivamente.

Gostou deste conteúdo? Então deixe seu comentário e leia também a experiência nestes outros países: China, Dinamarca, Coreia do Sul  e França.


6 Comentários. Deixe novo

  • Maria Eleni Teles Silva
    29/07/2020 13:02

    Interessante ver como vários países estão agindo em relação ao retorno das aulas.

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  • Daniela Bortolan
    30/07/2020 17:04

    Muito flexível, ao meu ver, considerando os números. Ponto interessante é a família decidir se leva o filho ou não.

    Responder
  • Muito interessante e é bom ler como outros países estão lidando com a pandemia! Tenho parentes que moram na Nova Zelândia e realmente a cultura e consciência dos habitantes de lá é muito diferente daqui.
    E a questão inicial da família e professores escolherem se voltam ou não para as escolas, é muito relevante!

    Responder
  • Fabiana Mendonça Sereno
    04/08/2020 10:08

    Na verdade, se for decidido a volta as aulas, os professores não terão a opção de escolha. Terão que voltar.
    Não concordo com essa fala, porque na prática o negócio é bem diferente.

    Responder
  • Marília Alves da silva
    05/08/2020 12:48

    Na verdade eu não concordo porque se fala muito mas na prática a realidade é outra. Lá é pais de primeiro mundo a cultura é outra .

    Responder
    • manoela.frug
      05/08/2020 13:11

      Marília, tudo bem?
      Obrigada pela sua contribuição! Esse espaço é realmente para debatermos ideias e como ponto de partida estamos trazendo o que foi feito em diversos países – tanto de positivo, quanto de negativo – para nos mantermos informados sobre a educação global, especialmente nesse momento delicado.

      Responder

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