Os impactos da Ansiedade Infantil no ensino-aprendizagem

Gestão Escolar

Diante de tantos estímulos e o excesso de informações em constante aceleração, não é de se estranhar que a ansiedade tenha aumentado na sociedade como um todo. Mas diferente do que algumas pessoas pensam, esse não é um problema exclusivo dos adultos. A ansiedade infantil também já entrou para as estatísticas.

As crianças, infelizmente, também sofrem cada vez mais desse mal. De acordo com a revista Saúde: “Cerca de 10% dos pequenos sofre de algum transtorno ansioso, e cinco em cada dez passarão por algum episódio depressivo por causa dela. É necessário estar atento, também, à ansiedade que não chega a ser um transtorno, mas que traz sofrimentos e prejuízos cotidianos, como diminuição da autoestima”.

Vale lembrar que a ansiedade por si só não é boa ou ruim. Ela é natural aos seres humanos, porém representa anormalidade quando surge em taxas muito baixas ou muito altas. Uma criança que não apresenta nenhuma ansiedade, como para realizar uma prova ou apresentar um trabalho por exemplo, pode facilmente tornar-se desmotivada. Porém, o mais comum é ouvir falar em ansiedade excessiva, capaz de bloquear as pessoas até mesmo em ações simples do cotidiano.

Assim como qualquer outro transtorno psicológico, as causas podem ser várias, tanto quanto os caminhos de tratamento e ajuda. Tudo irá depender do caso e do grau de intensidade em que se apresenta.

Para as escolas, em primeiro lugar, cabe o papel de análise para identificar alunos que apresentam alterações de ansiedade. Afinal, essa não é uma questão que deve ser desassociada das responsabilidades educacionais, já que as consequências são notórias dentro e fora da escola. Entre elas, a própria queda no desempenho escolar.

Portanto, ao entender e compartilhar uma nova postura em torno da ansiedade infantil, as escolas serão capazes de tornarem-se agentes de transformação e redução de danos, podendo assim impactar, inclusive, na vida futura dessas crianças durante a adolescência e a vida adulta.

E na sua escola, você já sabe como identificar e agir diante de transtornos de ansiedade?

O que torna uma criança ansiosa?

De acordo com o psicólogo Philip Kendall, não existe uma única resposta, porém evidências indicam que as causas são parte biológicas, parte cognitivas e parte relacionadas ao meio em que as crianças vivem.

As causas tidas como biológicas ou hereditárias são aquelas em que, a princípio, não se pode controlar. São fatores genéticos transmitidos de geração para geração.

Já as cognitivas dizem respeito a maneira como essas crianças processam informações e emoções no cérebro. Ou seja, são passíveis de aprendizado e treinamento durante a infância e toda a vida.

Por fim, o ambiente também terá impacto começando pelo estilo de educação parental, como a superprotetora ou supercrítica. Ambas serão prejudicais à maturidade emocional das crianças em fase de desenvolvimento. Entre exemplos relacionados ao ambiente, também estão os eventos traumáticos como um acidente de carro, episódios causadores de estresse como o divórcio dos pais ou até estresses na própria escola ou ainda alguns tipos de rejeição, na família ou fora dela.

Kendall também explica que um dos principais sinais a ser observado por pais e professores é quando a criança passa a evitar situações por medo.

Como a escola pode atuar?

Certamente a escola não terá todo o poder de atuação necessário para resolver casos de ansiedade.  O mais importante é compartilhar a responsabilidade com os pais. Isso porque, como já vimos, o contexto de suas vidas e o direcionamento de educação que os alunos recebem, possui impacto relevante tanto na prevenção quanto na solução do problema.

O que aponta para caminhos ainda considerados alternativos na educação, com novas metodologias mais imersivas para além do padrão das salas de aula. Quanto mais as escolas começarem a trazer experiências que estimulem habilidades como a da paciência por exemplo, mais fácil será mensurar e atuar diante de determinados problemas psicológicos entre as crianças.

Da mesma maneira, também será possível criar um novo direcionamento de comportamento. Hoje as crianças se deparam com um cenário de pouca interação, em que  a aula é transmitida a crianças sentadas em carteiras, com pouca mobilidade ou mesmo estímulo de raciocínio crítico em torno das suas ações.

Voltadas mais à absorção e entendimento de certos conhecimentos, as emoções parecem estar por conta do acaso.

É importante entender que os alunos precisam ser estimulados aos poucos em questões comportamentais e de forma personalizada. As dificuldades que geram ansiedade e bloqueio devem ser afloradas gradualmente pelos professores. Além disso, a imprevisibilidade é outro fator que pode aumentar a ansiedade e, portanto, as crianças também precisam ter uma noção mais ampla de contexto, tanto quanto ao tempo, quanto aos propósitos de suas atividades.

Através da mediação da aprendizagem, os professores poderão analisar nuances de ansiedade no cotidiano. Lembrando-se sempre de manter uma conversa transparente com os pais, entendendo se o aluno já possui fatores hereditários ou já está passando por outros tipos tratamentos.

O trabalho da escola é uma extensão que complementa e estimula uma vida emocional mais saudável.

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