Educação e Economia: entenda os reflexos desse investimento na sociedade

Gestão Escolar

De tempos em tempos ouvimos a palavra crise para alertar sobre problemas econômicos do país. Assim, logo se instaura o clima de urgência e preocupação para melhorar ou pelo menos amenizar esse quadro na sociedade.

Já na educação, independente dos baixos índices de desempenho, dificilmente se vê um posicionamento de mudanças tão urgente. Mas o que poucos sabem, ou pelo menos se lembram, é o fato de que a educação e a economia sempre estiveram diretamente interligadas.

Para chegar a essa conclusão, basta pensar na evolução do mercado de trabalho e na importância do capital humano. Em primeiro lugar, considere que as pessoas sempre representaram a força motriz da economia para o mundo em todos os momentos da história.

A mudança reside no fato de que, onde antes valorizava-se apenas ou principalmente a mão de obra, ainda assim dependente de algum nível de treinamento e técnica, hoje vemos o foco nas habilidades cognitivas, sociais e emocionais em primeiro plano.

Tudo isso somado à necessidade de conhecimentos cada vez mais específicos e um cenário em constante transformação, que requer atitudes como proatividade de se aprimorar a todo momento e manter o foco diante dos novos desafios.

Sem se esquecer dos valores éticos, que devem ser cultivados em primeiro lugar, para evitar graves problemas que hoje atrasam tanto o nosso desenvolvimento econômico e social, como é o caso da corrupção.

É claro que a resposta não poderia estar fora da educação. Afinal, desde os valores éticos aos conhecimentos mais específicos, tudo passa pela aprendizagem.

Ou seja, enquanto não houver bases estabelecidas e que se interligam tão fortemente aos nortes mais amplos como a economia, estaremos presos a um ciclo vicioso de problemas sociais.

Entenda como podemos mudar esse quadro!

 

O investimento na primeira infância

Felizmente, a ligação entre essas áreas vai além da observação, graças a estudiosos como o professor de economia James Heckman. Como vencedor do Prêmio Nobel de Economia e especialista em economia do desenvolvimento humano, ele é responsável pela Equação Heckman.

A Equação Heckman trabalha em torno do investimento em educação da primeira infância (período de 0 a 6 anos de idade), enquanto crucial para ditar o sucesso econômico de um país. Para ele, a Inteligência e as habilidades sociais devem começar a ser desenvolvidas em idade precoce. Além disso, a educação representa o maior retorno possível diante do capital humano.

Sua teoria também considera que nem todos possuem acesso a uma educação de qualidade. Assim, uma das principais vantagens do país virá da ajuda aos menos favorecidos.

Apontando para um retorno de US$ 7 para cada US$ 1 investido nessa fase de vida, ressalta o avanço da faixa etária enquanto um agravante na proporção dos resultados. Isso porque quanto mais uma pessoa aproxima-se da vida adulta, menor é a sua capacidade de absorção e transformação, como aponta o gráfico abaixo.

Segundo Heckman: “Tentar sedimentar num adolescente o conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes, custa mais caro e é menos eficiente”.

Só é importante não se esquecer que a educação deve englobar os aspectos integrais do ser que incluem especialmente o seu desenvolvimento emocional. Afinal esse é um dos fatores de maior ressonância, independente da profissão escolhida no futuro.

Também vale reforçar que a ação de investir em uma criança maior ou um adolescente não é ineficaz. Mas, se for possível a assertividade de trabalhar diante de um momento de maior aproveitamento durante sua formação, de fato, cabe o bom senso dessa urgência por parte de escolas e famílias.

 

Cases de Sucesso

Quando lembramos de cases de sucesso na área da educação, um dos primeiros países que nos vem à cabeça é a Finlândia. Educadores em especial, não se cansam de saber que por anos consecutivos, a Finlândia destaca-se entre as melhores notas em testes importantes como o PISA.

Mas o que nem todos sabem, é que devido ao investimento em educação, o país como um todo foi grandemente impactado. Deixou para trás sua economia rural e se tornou um dos mais industrializados e inovadores do planeta.

O resultado foi tão positivo, que o retorno para a sua economia acontece de forma direta, desde que os finlandeses decidiram exportar seu modelo para fora. O que já contabiliza 200 milhões de euros por ano em receitas relacionadas a serviços educacionais.

Porém, a Finlândia não é a única que comprova resultados nesse sentido. Os países que mais se destacam por seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), também são aqueles que mais investem em educação, com as maiores taxas de porcentagem de seu PIB (Produto Interno Bruto) dedicadas ao setor.

Entre os que se destacam estão: Noruega, Austrália, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Nova Zelândia, entre outros. A Noruega, um dos países mais desenvolvidos do mundo investe anualmente cerca de 7,3% de seu produto interno bruto (PIB) em educação, de acordo com uma pesquisa realizada pela ONU em 2013.

Na contramão, de acordo com uma outra pesquisa realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil está entre os países que menos gastam com o ensino primário.

Caso ainda restem dúvidas sobre a relação desses índices, saibam que elas não existem ao acaso. Quanto maior o investimento nos estudos de suas crianças e jovens, mais desenvolvido um país tende a se tornar.

 

A Lei do Retorno

Apesar de investimento ser uma palavra fortemente usada para valores monetários, ela se aplica a qualquer área. E que assim como para os economistas, deve existir a curto, médio e longo prazo.

Não raro, os investimentos a curto prazo representam o menor retorno enquanto os investimentos a longo prazo requerem paciência, mas com maiores chances de ganhos.

Quando lidamos com a educação apenas a curto prazo, dificilmente trazemos transformações profundas com retorno futuro, seja para a economia ou outros setores sociais. Portanto, enquanto não trouxermos a crise da educação enquanto a pior crise que poderíamos enfrentar, nenhum progresso financeiro será suficiente.

 

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