6 dicas para estimular os estudos e o trabalho em grupo com crianças introvertidas

Gestão Escolar

Em uma sala de aula, os professores terão que lidar com vários perfis de comportamento entre os alunos. Em geral, tendemos a classificar as pessoas em dois grandes grupos: introvertidas e extrovertidas.

Enquanto os introvertidos são mais calados e se sentem confortáveis quando estão apenas consigo mesmos, os extrovertidos são expressivos e preferem estar entre outras pessoas na maior parte do tempo.

Um outro grupo menos comentado, são os ambivertidos, que representam traços de uma mistura equilibrada entre os dois perfis. Ainda assim, sabemos que os introvertidos são os que, quase sempre, tendem a ser vistos de maneira frágil e até negativa. Muitas vezes, esses alunos podem até sofrer bullying e não saber como se expressar sobre isso.

De acordo com a PhD americana Heidi Kasevich, diretora de um programa que se concentra em orientar as comunidades escolares para ensinar introvertidos: “Todos nós caímos em algum lugar no espectro introvertido / extrovertido. Nas escolas – que são ambientes altamente estimulantes – os introvertidos muitas vezes são cobrados para se encaixar no ideal extrovertido, e isso leva à zona de perigo da auto-negação, fazendo os se voltar totalmente para dentro ou apenas se retirando”.

Por outro lado, existe um desafio educacional, considerando que as atividades em grupo são essenciais para o desenvolvimento de todos. Pensando na questão, trouxemos seis dicas da especialista Heidi sobre como estimular a aprendizagem dos introvertidos, considerando a essência de sua personalidade. Estas dicas podem fazer parte das metodologias aplicadas na gestão pedagógica de sua escola. Confira!

 

1. Crie espaços para a reflexão introspectiva em aula

Durante a interação em sala, os professores devem intercalar momentos de reflexão introspectiva com o discurso ativo. Esses espaços serão essenciais para que os introvertidos se sintam mais confortáveis mesmo em uma aula dinâmica. Da  mesma forma, também ajudarão alunos extrovertidas a desenvolver melhor este outro ângulo de conexão interior.

Entre as práticas estão:

  • Ofereça oportunidades para conversas individuais na sala de aula – como por exemplo, entre pares;
  • Peça aos alunos que respondam perguntas em um post-it antes de convidá-los para respostas verbais. Isso também prepara aqueles que precisam de mais tempo para pensar;
  • Tente um “Minuto de Papel”: Faça uma pausa no meio da aula e peça aos alunos que reflitam sobre o que estão aprendendo enquanto escrevem sobre isso. Os pontos podem incluir: “O que está me impressionando? O que está me desafiando? Por que isso é relevante? Como posso conectar isso a alguma outra coisa que estou aprendendo?”;
  • Conte até 10 em sua cabeça antes de chamar os alunos para responder. Segundo Kasevich, “os estudos mostram que de três a 10 segundos de tempo de espera ajudam os alunos introvertidos e aumentam a complexidade das respostas para todos os alunos”;
  • Integre o silêncio intencional. Por exemplo, você pode usar uma imagem, uma pintura ou uma frase de livro como ponto de partida. Peça aos alunos que observem cuidadosamente esses elementos e pensem no assunto por quatro minutos.

 

2. Considere espaços físicos para este perfil

Como os introvertidos sentem-se superestimulados pelo ritmo repleto de ação de um dia de escola, “eles precisam de tempo e espaço para restaurar seu sistema nervoso”. Portanto, considere deixar ambientes para leitura silenciosa ou mesmo descanso mental. Explore opções inclusivas de lanchonete e playground, incluindo áreas reservadas com mesas e bancos ou um horário aberto na biblioteca.

 

3. Forneça pré-visualizações

Alguns alunos introvertidos instintivamente evitam desafios desconhecidos. Isso porque, diferente dos extrovertidos, eles não se sentem confortáveis com improvisos. De acordo com Kasevich, “então dê a eles uma longa pista”. Isso pode tomar a forma de:

  • Uma pergunta chave na lousa quando a aula começa;
  • Uma agenda programada antes de uma reunião;
  • Um calendário detalhado ou plano de estudos (ensino fundamental e médio);
  • Uma agenda com cronograma de tarefas diárias (escola primária);
  • Uma prévia completa de um material de estudo, projeto ou plano educativo, incluindo os principais tópicos a serem percorridos, do começo ao fim.

 

4. Observe sua linguagem

Às vezes, introvertidos são rotulados negativamente por colegas e professores. Portanto, ensine os adultos a se comunicarem de maneiras alternativas. No lugar de frases comuns, eles podem usar termos positivos ao fornecer feedback aos alunos ou conversar com os pais. Por exemplo, em vez de notar um déficit como “ela precisa falar mais na discussão em sala de aula”, enquadre os pontos fortes de um aluno como “ela é uma aluna perspicaz que pensa profundamente antes de responder”.

Mudar a mentalidade dos educadores ajuda aceitar os introvertidos como são e explorar suas qualidades. Essa é a diferença essencial entre um estímulo saudável e tentativa de mudar o que uma pessoa é.

 

5. Vincule atividades sociais a algo significativo

Os professores podem ajudar os introvertidos a sair para fora de suas zonas de conforto e correr riscos confortáveis. Já que “eles não se arriscam pelo risco”, é possível vincular ações necessárias às suas paixões e interesses – a algo significativo.

Enquadrar os riscos dessa maneira “é a oportunidade para ajudar os introvertidos a se esforçarem”. Kasevich dá o exemplo de um estudante que quer levar iniciativas de sustentabilidade para o ensino médio – uma paixão que pode exigir que se torne um dirigente de clube ou faça um discurso ou mesmo uma apresentação.

Os professores podem motivar este aluno com um discurso do tipo: “Mantenha sua missão em mente. Vá ao auditório antes para praticar e lembre-se de um tempo no passado em que você falou com confiança e convicção ”.

 

6. Crie uma estrutura de trabalho inclusiva

Se você simplesmente colocar as crianças em grupos sem treinamento, uma minoria de membros provavelmente irá se ocupar com a maior parte da conversa. Para isso, treine os alunos com técnicas como brainwriting e design thinking.

No brainwriting, os alunos podem registrar por escrito suas ideias criativas antes de falarem. Já o design thinking usa de elementos visuais para organizá-las.

Também estabeleça normas de grupo para conversas inclusivas e garanta que estão sendo cumpridas. Como por exemplo, delimitar uma ordem sequencial e mesmo um tempo limite para que cada um se expresse. Outra dica é pedir para que os alunos ouvintes repitam o que o outro falou para garantir que a mensagem foi absorvida. Só é preciso tomar cuidado para não tornar esse processo algo muito rígido.

Conforme você sentir que as técnicas estão fluindo, poderá abrir um espaço para um estilo de interação mais livre. Muitas vezes, elas podem ajudar a desbloquear alunos introvertidos e permitir que com o tempo eles se sintam mais à vontade interagindo por conta própria.

“Criar uma sala de aula inclusiva para diferentes temperamentos leva tempo”, explica Kasevich. Trata-se de alcançar o equilíbrio entre a colaboração e o trabalho individual, criando uma cultura de sala de aula que valorize a escuta profunda, as pausas reflexivas e as múltiplas formas de engajamento.” Não estamos fazendo uma guerra contra o trabalho em grupo”, disse Kasevich. “Queremos que os educadores pensem mais amplamente sobre participação e envolvimento em sala de aula”, criando um ambiente onde todos os alunos possam prosperar.

Comente outras dicas ou situações onde você entende que é possível estimular alunos com o perfil introspectivo!

 

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