Coordenação Pedagógica: o desafio de uma formação para o cargo

Gestão Escolar

A coordenação pedagógica possui um importante papel de articulação diante dos propósitos educacionais de uma escola. No entanto, há desafios para os limites de suas responsabilidades no dia-a-dia. Às vezes, até para os próprios coordenadores!

Não é incomum que absorvam outras demandas, principalmente administrativas, em meio às urgências pelas quais são solicitados.

Parte do problema se deve à falta de uma formação que os capacite e direcione. Isso porque na prática, os coordenadores são ex-professores que foram promovidos para a função. Apesar da bagagem de conhecimento, na maioria dos casos, ainda faltam competências estratégicas relacionadas à gestão e liderança.

Sua atuação, portanto, se torna reflexo da formação em Pedagogia e de sua experiência em sala de aula. Porém, sabemos que esses pilares não são suficientes para coordenadores que terão que lidar com outros desafios complexos. Entre eles estão planejamento, formação de professores, comunicação com a comunidade escolar, análise de resultados, entre outros.

Considerando esses fatores, trouxemos alguns reflexos de uma formação capacitadora de acordo com as reais necessidades da função!

 

Por que buscar por uma formação?

De acordo com uma pesquisa divulgada pela revista Gestão Escolar, a capacitação é o primeiro item a ser considerado como essencial para que um coordenador desempenhe bem o seu papel.

Em seguida, aparecem habilidades socioemocionais como comunicação, dinamismo e dedicação. Ainda assim, sabemos que uma boa formação também deverá englobar estas esferas de alguma forma!

Outro ponto é que, por mais que um coordenador saiba, em teoria, qual é o seu papel, pode haver uma lacuna entre o que ele aprende em cursos e a realidade de sua rotina. Portanto, o autor Franco (2008), citado no documento: “O coordenador pedagógico e sua identidade profissional”, reforça a importância de uma formação voltada às simulações práticas de experiência:

“Só assim será possível fazer o exercício fundamental da Pedagogia: criar articulações cada vez mais profundas entre a teoria e a realidade. Ou seja, fazer dialogar a lógica das práticas com a lógica da formação. Essa é a grande tarefa que os cursos de formação devem enfrentar.” (FRANCO, 2008, p. 123).

Como podemos ver, entre as principais habilidades, se destacam aquelas relacionadas à inteligência emocional. Sejam elas, intrapessoais (dinamismo e ousadia) ou interpessoais (promover boas relações no trabalho).

Considerando estas habilidades, é claro que a formação não será o único fator determinante para os coordenadores. A própria bagagem particular e o seu nível de desenvolvimento pessoal poderá pesar na balança a favor ou contra um perfil adequado!

No entanto, a formação permitirá que os coordenadores visualizem os seus papeis e limites de atuação com mais clareza. Para os papeis mais objetivos, como o de planejamento, espera-se que adquiram conhecimentos e técnicas específicas. Já para os papeis tidos como subjetivos, o que inclui a capacidade de comunicar-se bem, espere-se que a formação elucide quais funções se conectam a determinada habilidade, tanto quanto aponte caminhos de direcionamento que os permitam ativá-las.

 

Como os coordenadores devem atuar?

Em geral, é preciso entender a coordenação pedagógica enquanto uma atividade essencialmente estratégica. Ou seja, com visão de todo a partir de um olhar mais distanciado e inteligente em relação aos processos e conteúdos educativos.

Ao mesmo tempo este olhar deve permiti-los ativar soluções práticas e conectadas com a realidade. Portanto, são uma ponte entre a gestão da diretoria e os propósitos centrais da escola e os professores que irão transmitir estes valores diretamente aos alunos.

Para desempenhar a função, é preciso que saibam se planejar e se comunicar com eficiência. Além disso, espera-se que sejam dinâmicos e flexíveis para saber atuar diante de situações que vão além do “crononograma”.

Por um lado, irão absorver os imprevistos e desafios de aprendizagem, eliminando os empecilhos que dificultem o pleno desenvolvimento dos alunos. Por outro, devem ir além do esperado, ao trazer propostas inovadoras de educação e que amplifiquem o leque de possibilidades.

 

Senso de identidade

Apesar de sua enorme importância, sempre vale revisitar a identidade e o trabalho do coordenador dentro de uma escola. Isso porque, por desempenharem um papel de intermédio entre uma ponta e outra, nem sempre estes limites se mostram claros.  Muitas vezes, eles se fundem em meio a tantas conexões.

Uma das consequência mais notáveis, é justamente a falta de uma formação adequada a seu cargo e função, o que se reflete na rotina tanto desses profissionais quanto daqueles com quem se relacionam.

Dessa forma, enxergar os coordenadores enquanto formadores co-responsáveis pela educação, irá garantir um ensino muito mais fluído e otimizado em sala de aula! O quanto eles estão recebendo suporte e sendo de fato preparados?

 

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