Dois anos de educação na pandemia

Gestão Pedagógica

Dois anos de Educação na pandemia.

O primeiro caso oficial de Covid-19 registrado no Brasil completou dois anos no dia 26 de fevereiro. Depois que chegou por aqui, o coronavírus contaminou mais de 28,3 milhões de brasileiros, matou mais de 645 mil pessoas no país e provocou o maior fechamento de escolas da história da educação brasileira.

Os efeitos da pior pandemia global em mais de 100 anos serão sentidos ainda por muito tempo. Inclusive nas salas de aula.

Os dados coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, dão a medida dos desafios criados pelo fechamento das escolas.

Os números

Segundo a pesquisa “Resposta Educacional à Pandemia de Covid-19 no Brasil”, as escolas brasileiras passaram, em média, 279 dias fechadas no ano de 2020.

Ao todo, 99,3% de todas as escolas suspenderam as atividades presenciais pelo menos uma vez e 90,1% não reabriram suas dependências naquele ano.

O levantamento foi feito pelo Inep com um questionário adicional ao Censo Escolar 2021.

Desigualdade

Com as novas ondas de Covid, novas interrupções de atendimento presencial aconteceram de forma intermitente ao longo de 2021.

Essas interrupções tiveram, como efeito principal, acentuar as desigualdades educacionais. O problema fica claro quando se separa os percentuais de escolas que não retomaram o atendimento presencial em nenhum momento de 2020 entre as diferentes redes de ensino.

O percentual é sensivelmente maior nas escolas públicas de maneira geral. Na rede federal, ele foi de 98,4%; nas redes municipais o número registrado foi de 97,5%, nas estaduais foi de 85,9% e nas privadas, 70,9%.

Outros países

Comparativamente, as escolas brasileiras ficaram fechadas por tempo muito superior ao registrado até entre países vizinhos.

Argentina e Chile contaram 199 dias de paralisação completa; México, 180 dias; no Canadá foram 163 dias. Em Portugal, o atendimento presencial ficou suspenso por 67 dias e, na França, por 43 dias.

Os professores

Mais uma vez, a desigualdade de condições prevaleceu nas ferramentas e formações oferecidas aos professores para enfrentar a suspensão das atividades presenciais.

Nas redes estaduais, 79,9% das escolas formaram educadores para atuar à distância. Nas municipais, esse percentual foi de 53,7%.

Os equipamentos necessários para as aulas remotas, como notebooks, tablets e smartphones, foram oferecidos aos professores por apenas 43,4% das escolas estaduais. Nas municipais, esse índice foi de 19,7%.

No quesito acesso gratuito à internet, apenas 15,9% das escolas estaduais adotaram alguma medida nesse sentido. Nas municipais, o percentual foi de 2,2%.

Aulas síncronas

O levantamento mostra que a realização de aulas síncronas, nas quais professores e alunos se reuniam em salas virtuais de conferência, foi adotada por 72,8% das escolas estaduais e 31,9% das municipais.

Em pelo menos 2.142 cidades brasileiras, nenhuma escola adotou essa estratégia.

Ensino híbrido

Mais um indicativo do aumento das desigualdades educacionais pode ser quantificado pela adoção do Ensino Híbrido.

Nessa modalidade, as escolas retomavam parcialmente as aulas com números reduzidos de alunos e atendiam os demais estudantes em casa por meio de estratégias de ensino remoto.

Entre as escolas particulares, o percentual de adoção do Ensino Híbrido atingiu 21,9%. Nas redes públicas, o percentual não passou de 4,4%.

Evasão escolar

O Censo Escolar de 2021, divulgado em fevereiro deste ano, mostra o principal efeito de tantas paralisações das aulas presenciais: a evasão escolar.

Os dados de matrículas mostram que o problema atinge, principalmente, a etapa da Educação Infantil.

Na creche e na pré-escola, o número de matrículas apresentou queda de 7,3% entre 2019 e 2021. Isso significa que 653.499 crianças de 0 a 5 anos saíram da escola durante a pandemia. Justamente numa fase de extrema importância para o desenvolvimento infantil.

Ensino Fundamental

No Ensino Fundamental também houve queda de matrículas, especialmente nos anos iniciais, embora o Censo sustente que 98,9% das crianças e jovens de 6 a 14 estão matriculados em escolas.

Em números absolutos, a redução foi de 495.847 alunos entre 2019 e 2021 nos cinco primeiros anos desse ciclo.

O tombo maior foi verificado na rede privada, que perdeu 7,1% de seus alunos entre 2020 e 2021.

A tendência de queda foi iniciada em 2017, quando os anos iniciais do Ensino Fundamental registraram 15,3 milhões de alunos matriculados. Em 2021, o número total de matriculados nos 5 primeiros anos do EF foi de 14,5 milhões.

Nos anos finais, a tendência é de estabilidade em torno dos 12 milhões de estudantes matriculados.

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