Tendências da Educação na Bett Educar 2018: entre a tecnologia e a humanização

Gestão Escolar

A Bett Educar, um dos maiores eventos da Educação na América Latina, reuniu durante os dias 08 a 11 de Maio, educadores e profissionais do setor, para debater temas relevantes e tendências da educação que nos ajudam a vislumbrar as principais transformações do ensino que já estão acontecendo e irão ditar o futuro da aprendizagem.

Não raro o futuro é associado à chegada de novas tecnologias que irão otimizar e facilitar o cotidiano. De fato, a visão futurística associada aos aparatos tecnológicos marcaram presença na feira seja por meio de softwares, ferramentas ou até robôs de aparência amigável.

Não restou dúvida sobre o enfoque externo que pode agilizar processos, fomentando debates avançados como a da inteligência artificial. Por outro lado, uma outra visão futurista permeou os debates até mesmo de empresas de tecnologia como a Microsoft.

Esse olhar foi voltado ao desenvolvimento integral dos alunos ao considerar suas faculdades não apenas cognitivas, mas também emocionais, sociais e éticas.

Olhando agora para dentro do ser humano, essa se mostrou a maior sustentação dos novos direcionamentos de ensino, podendo ser ou não apoiada por recursos tecnológicos.

Isso porque, diante de um mercado de trabalho incerto, onde não se sabe sequer exatamente de quais profissões do futuro estamos falando, seria ilógico ensinar apenas conhecimentos específicos. Com apoio nas novas Bases, especialmente a do Ensino Básico já homologada, a educação olha agora com mais atenção para determinadas competências e habilidades antes tidas como subjetivas e ditadas pela personalidade individual.

Descubra os principais insights que o Educador 360 captou durante alguns debates que aconteceram na Bett Educar deste ano!

 

Neurociência: um passo atrás

Apesar de toda a tendência em torno do assunto de um desenvolvimento integral, seja devido à BNCC ou mesmo pelo mercado de trabalho, os campos emocionais não são águas rasas ou fáceis de se navegar e, portanto, não podem ser trabalhados apenas enquanto exigências ou mesmo modismos.

Especialmente enquanto educadores que mediam o processo de aprendizagem de outros seres humanos, é preciso considerar fatores estruturais de estudo como o da neurociência para se guiar com mais firmeza rumo a transformações consistentes e eficazes.

Foi durante a palestra da Sandra Garcia, Diretora Pedagógica da Mind Lab, com o tema: “Neurociências, Jogos de Raciocínio e Métodos Metacognitivos no desenvolvimento das habilidades socioemocionais e do cérebro”, que essas bases foram trazidas com profundidade.

Sandra abordou o funcionamento do cérebro em suas diversas áreas de processamento de acordo com fatores personalizados como faixas etárias e até mesmo gênero. Um estudo que se somou ao conceito de múltiplas inteligências, trazendo à tona a importância de um ensino mais personalizado.

Além disso, entendendo o cérebro e as pessoas como transmutáveis e capazes de atingir a transcendência de suas limitações em diferentes esferas, sejam elas cognitivas ou emocionais, esses processos de aprendizado integral foram entendidos como parte de um treinamento constante o qual as escolas devem estimular em seus alunos.

Porém diferente de um estímulo passivo, que visa transferir conhecimentos, Sandra explica sobre a importância da mediação que ajuda os alunos a chegarem em suas próprias respostas. Dessa forma, os alunos irão assimilar tudo com mais profundidade já que o aprendizado parte de uma relação de experiência com significado pessoal.

 

Tecnologia e Inteligência Emocional de Mãos Dadas

Considerando esses dois principais temas tão presentes na Bett Educar, muito educadores se questionam: em qual dos lados investir mais para realizar as transformações que queremos para a educação?

Muitas vezes, inclusive, parece que tecnologia e humanização emocional seguem caminhos opostos. Sempre que lidamos com tecnologia, ainda mais aquela que associamos a um futuro imaginário inspirado por filmes de ficção científica, é comum deixar-se levar por um conceito de desumanização.

Muitos discutem sobre robôs substituindo pessoas no mercado de trabalho ou até mesmo se rebelando contra humanos. Mesmo olhando para o cenário atual, os próprios smartphones ainda são vistos com certo desdém enquanto distrações substituindo a verdadeira interação entre as pessoas.

De fato, não podemos negar os desvios que exigem um olhar cuidadoso devido à uma certa imaturidade ao lidar com esses recursos. Só vale lembrar que, se tratam de acessos ainda muito recentes na história da humanidade e, portanto, a própria relação com eles, ainda está em desenvolvimento.

Na educação por exemplo, é claro que os impactos  podem ser extremamente positivos. Com equilíbrio e propósito de seu uso, as ferramentas tecnológicas são meios não só para aprender, mas inclusive para conectar pessoas, como já acontece em seu melhor potencial.

Daí a importância de uma inteligência emocional muito bem desenvolvida e habilidades que permitam o ser humano estar sempre no centro de controle de todos os seus recursos e não o contrário, sejam eles tecnológicos, financeiros ou até interpessoais.

 

Microsoft  focando no ser humano

A ideia de sinergia entre tecnologia e desenvolvimento emocional esteve nítida durante a palestra de Eve Psalti, Diretora de Programas Educacionais da Microsoft. Apesar do tema “Como transformar digitalmente seu ambiente educacional”, Eve reforça que o verdadeiro desafio da mudança não está tanto na tecnologia e sim nos seres humanos.

Dessa forma, apresenta algumas soluções sobre como a transformação na educação pode ocorrer através de um modelo que inclua:

  • Estudantes engajados em aprendizado profundo e mensurável;
  • Salas de aula que inspirem aprendizado;
  • Professores qualificados e devidamente equipados;
  • Aprendizado personalizado e divertido;
  • Educação não limitada por tempo ou espaço;
  • Sistemas que empoderam eficiência, produtividade e performance.

 

É claro, que em meio a essa estratégia, Eve apresenta recursos práticos da Microsoft que podem torná-los viáveis enquanto ferramentas de auxílio, mas também é interessante perceber que seu discurso de propósito tem por base mudanças mais profundas de comportamento e metodologia que insiram os alunos no centro da experiência através do trabalho em equipe.

Ela ainda cita a frase: “Se você quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo.”

 

Para onde vamos? Os agentes da transformação

Apesar de voltada ao público de educadores, a Bett Educar, representa um momento singular de propulsão para que o ensino seja repensado por toda a sociedade.

Afinal, somente quando todos os agentes de transformação estiverem profundamente envolvidos e engajados, é que esses direcionamentos positivos terão impacto em larga escala.

É preciso considerar os poderes públicos, as escolas e seus diferentes perfis de educadores, os pais, os alunos e até a comunidade como potenciais agentes de melhoria. Enquanto todos não estiverem em completa sintonia, que cada um por si possa desempenhar o seu papel e inspirar pouco a pouco, os agentes ao redor rumo à educação que queremos para o Brasil.

 

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