Seu aluno mudou após a pandemia?

Gestão Escolar

Seu aluno mudou após a pandemia?

Muito se fala atualmente sobre os efeitos da pandemia sobre a aprendizagem das crianças que passaram quase dois anos fora das escolas.

Perdas enormes de aprendizagem aconteceram, sem dúvida. Ainda assim, a quantificação desses efeitos deve aparecer em breve, nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, que acontecerá no final do ano.

No entanto, a preocupação com os prejuízos cognitivos tem escamoteado outro ponto tão importante quanto: os efeitos da pandemia sobre a saúde emocional dos alunos.

Você, professor ou professora que está na sala de aula todos dias, é a melhor pessoa para responder a essa pergunta: o seu aluno mudou após a pandemia?

Saúde emocional

Felizmente, essa pergunta despertou preocupação na Associação Nova Escola, uma organização social que apoia a prática docente de professores e professoras da Educação Básica.

Entre os dias 8 e 22 de julho, a Associação Nova Escola conduziu uma pesquisa qualitativa com 5.305 professores e professoras de todas as regiões brasileiras. 

Participaram professores de todas as etapas da Educação Básica, em atuação tanto em escolas públicas quanto em instituições privadas.

O objetivo era, então, formar um retrato da percepção dos professores sobre a saúde emocional de seus alunos.

Os resultados são preocupantes.

Aumento da violência

A primeira pergunta trazida pela pesquisa foi: Seus alunos estão mais violentos após o retorno às aulas presenciais?

Para 3.489 professores (65,8%), a resposta a essa pergunta foi sim. Confira a divisão de respostas no gráfico.

Casos nas escolas

Quando perguntados se na escola em que atuam já houve algum caso de violência cometida por alunos, 3.741 professores (70,5%) responderam que sim.

Outro dado preocupante nesse bloco foi a informação, prestada por 22,9% dos professores entrevistados, de que casos de violência ocorrem mais de uma vez por semana na escola em que atuam. Outros 23,4% informaram que os casos de violência praticada por alunos ocorrem pelo menos uma vez por mês.

Apoio ao professores

Uma constatação da pesquisa é a falta de apoio e formação a professores e professoras de todo o Brasil para lidar com essa situação.

Dessa forma, quando perguntados se receberam formação da coordenação ou da secretaria para lidar com casos de violência, 2.680 (51%) responderam que não.

O dado mostra que a responsabilidade para lidar com as questões de saúde emocional dos alunos está recaindo, basicamente, sobre os professores e professoras em sala de aula.

Os motivos da violência

A pesquisa conduzida pela Associação Nova Escola não se limitou a levantar a percepção sobre ocorrência ou não de violência em sala de aula. Além disso, uma bateria de perguntas se debruçou sobre os motivos desse aumento da violência.

Para 50,6% dos professores entrevistados, o principal fator a contribuir para a violência é a ocorrência de doenças emocionais causadas pelo longo tempo de isolamento.

Falta de maturidade

Na avaliação da diretoria pedagógica da Associação Nova Escola, o retrato demonstrado pela pesquisa pode ser explicado pelo fato de crianças e jovens não terem a maturidade necessária para lidar com o isolamento.

“A pandemia teve consequências negativas para toda a sociedade, mas as crianças e adolescentes sofreram mais por terem menos amadurecimento”, explicou Ana Ligia Scachetti, diretora de Nova Escola, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. “Não é que elas ficaram dois anos sem ir para escola e perderam só conteúdos escolares, elas perderam dois anos de convivência social em um ambiente que é fundamental para o seu desenvolvimento”.

Setembro amarelo

Os dados levantados pela Associação Nova Escola sobre a saúde emocional dos estudantes se tornam ainda mais importantes porque chegam às vésperas do início da campanha Setembro Amarelo, dedicada a previnir o suicídio.

Como todos os professores sabem, esse é um flagelo que cada vez mais atinge alunos e alunas na infância e na adolescência. Os danos à saúde mental causados pela pandemia podem agravar ainda mais a situação.

Educação socioemocional

Uma maneira de lidar com a violência cometida por crianças e jovens é desenvolver as habilidades para entender e lidar com as próprias emoções. E um grande aliado do professor nessa tarefa é a educação socioemocional.

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