A educação do futuro e o trabalho

Gestão Escolar

A educação do futuro e o trabalho.

No último post, nós falamos aqui sobre as tendências que podem influenciar a educação no futuro, a partir de um relatório produzido pela Organização para o Comércio e Desenvolvimento Econômico, a OCDE.

Esse relatório, lançado a cada 3 anos, pode ser um bom norteador para educadores e educadoras refletirem sobre o futuro da educação e como essas tendências vão influenciar o trabalho docente em sala de aula.

Por isso, a partir de hoje, o Educador360 inicia uma série curta sobre os temas trazidos pelo relatório da OCDE.

O primeiro deles é a educação do futuro e o trabalho.

Qual a nossa visão de futuro?

A vida cotidiana está em constante transformação, certo? Ninguém duvida de que a educação pode nos ajudar a crescer, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal.

Mas, que futuro enxergamos para nós, como profissionais, e para nossas comunidades?

O relatório da OCDE aborda essa questão a partir de alguns pontos de vista diferentes, mas complementares:

  1. Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?
  2. Novos empregos para uma nova era?
  3. A quantificação da vida

Vamos refletir sobre cada um deles? Então siga com a gente.

Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

Você acredita que todos nós trabalhamos demais? É quase consenso, no mudo agitado de hoje, essa impressão de que trabalhamos mais do que nunca.

Os dados levantados pela OCDE, porém, mostram que o tempo de trabalho diminuiu constantemente no último século.

Em 1870, os trabalhadores nos países que integram a OCDE cumpriam jornadas médias de mais de 3.000 horas por ano. Fins de semana de folga não existiam até o início do século 20.

Em comparação, em 2019, as jornadas de trabalho anuais eram, em média, de 1.743 horas. Claro que existem diferenças nessas quantidades, dependendo do país. Nos países europeus mais ricos, por exemplo, o tempo de trabalho é bem menor do que nos países em desenvolvimento.

A redução nas horas de trabalho foi impulsionada por vários fatores. O relatório da OCDE cita alguns deles:

  • Aumentos na produtividade;
  • Melhorias na renda;
  • Regulamentações trabalhistas; e
  • Maior acesso a opções de lazer.

O aumento significativo de folgas e férias gerou reflexos na expansão do turismo ao longo do tempo.

O relatório traz alguns questionamentos para reflexão sobre esse cenário:

  • Qual é o papel da educação na preparação para a vida fora do trabalho?
  • Até que ponto o declínio nas horas de trabalho vai aumentar a demanda por aprendizado?
  • Além do trabalho e dos estudos, há lazer, vida familiar, política e muito mais. A educação pode ajudar jovens e idosos a desenvolver as competências necessárias para se envolver de forma significativa em todos os aspectos da vida?
  • A aprendizagem não formal, informal e formal influenciam e reforçam-se mutuamente. O que os sistemas educacionais podem fazer para melhorar o acesso equitativo à aprendizagem não formal, como o lazer educacional?

Novos empregos para uma nova era?

Os mercados de trabalho mudam à medida que novos modelos de negócios, regulamentações e leis trabalhistas se estabelecem. Formas atípicas de trabalho, como o emprego temporário e em tempo parcial, estão em crescimento.

As tecnologias digitais possibilitaram o surgimento do trabalho remoto e dos trabalhos mediados por plataformas online.

Embora aumentem o emprego e ofereçam arranjos mais flexíveis, essas novas modalidades também podem intensificar as demandas de trabalho e confundir as linhas entre emprego e vida privada.

A aprendizagem ao longo da vida será essencial para garantir a adaptabilidade e a resiliência necessárias para navegar no futuro do trabalho.

Para reflexão, o relatório coloca as seguintes questões:

  • Como estruturar os dias se os horários de trabalho não são dados pelas empresas?  Como a educação pode ajudar crianças e adultos no aprendizado da administração do tempo?
  • O que fazer para preparar crianças, jovens e adultos para o cenário em que terão vários empregos ao longo da vida?
  • Como educar para o aprendizado e treinamento profissional num cenário em que trabalhadores não terão uma empresa que patrocine esse aprendizado contínuo? Como isso afeta sistemas educacionais, formais ou não formais, e educadores e educadoras?

A quantificação da vida

As pessoas cada vez mais concentram o tempo livre na produtividade, eficiência e auto-aperfeiçoamento. A expansão constante da tecnologia abriu a possibilidade de transformar partes de nossa história de vida em dados coletados em nossos dispositivos.

Até o amor e os relacionamentos são cada vez mais produto de algoritmos. Nossa vida privada é cada vez mais quantificada e mercantilizada pelas empresas que extraem valor dos dados que produzimos.

A educação precisa atuar no desenvolvimento do pensamento crítico necessário para fazer escolhas informadas, apoiando e capacitando alunos de todas as idades para escolher seu próprio caminho em uma sociedade cada vez mais quantificada.

Questões para reflexão trazidas pelo relatório:

  • Há uma pressão por uma educação que possa ser medida e quantificada. Estamos reduzindo a educação apenas a coisas quantificáveis? O que não pode ser medido será excluído da educação?
  • As instituições de ensino têm capacidade para entender e usar os dados gerados por ferramentas, plataformas e serviços digitais? Como podemos ampliar essa habilidade? Fortalecer a alfabetização de dados dos professores ajuda? Devemos introduzir e integrar novos papéis profissionais nas escolas e universidades?
  • A quantificação crescente da vida está ligada a uma expectativa de perfeição – na educação, na aparência, nos relacionamentos e na vida em geral. Como capacitar alunos e alunas para resistir a essa pressão?

Pensando juntos

Que tal aproveitar esses dados e as questões disparadoras trazidas pela OCDE para formar um grupo de reflexão entre os educadores e educadoras da sua escola?

Projetar o futuro e estruturar maneiras de lidar com as transformações da sociedade é uma maneira de contextualizar a educação e preparar nossas crianças e jovens para o mundo de maneira integral.

Pense nisso, envolva seus colegas e ajude a transformar o futuro.

No próximo post, a gente volta com reflexões sobre a educação na era da informação. Até lá.

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1 Comentário. Deixe novo

  • Adriana Oliveira
    28/07/2022 10:02

    Gostei muito dessa reflexão. Me auxiliou em algumas questões. Precisamos mesmo refletir sobre essa nova educação e como nós portamos diante de tantos desafios.

    Responder

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