Educação do Futuro: como preparar os alunos para empregos que ainda não existem

Gestão Escolar

Estamos passando por mudanças significativas rapidamente. Entre avanços na tecnologia, mudanças de hábitos e estilo de vida, novos propósitos na educação, maior preocupação com a saúde, economias disruptivas e tantos outros pilares que ditam a sociedade moderna.

Por sua vez, os educadores estão se questionando sobre a educação do futuro. Afinal, os alunos estão aprendendo hoje o que será a base de seu amanhã, não só a nível profissional como também pessoal.

A sigla VUCA, traduzida do inglês, define o contexto em 4 palavras: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade.

E apesar das apostas em torno das novas profissões, a tendência é que esse plano de fundo permaneça. Portanto, o ideal é que a educação seja inovadora e esteja sempre um passo à frente.

Isso porque até os próprios modelos de vestibular tendem a se alterar. A Reforma no Ensino Médio por exemplo, já aponta para um caminho de mudanças que ainda não estão bem definidas. Dessa forma, é importante que os alunos não aprendam apenas para avaliações.

Para ajudar, analisamos algumas questões em torno do momento, que também é tido como a quarta revolução industrial. Entenda o desafio de ensinar com relevância para o futuro das crianças e jovens de hoje!

 

O que é a quarta Revolução Industrial?

Para entender melhor o contexto em que vivemos, considere que estamos diante da quarta Revolução Industrial. Esta é uma consequência de outras 3 fases anteriores marcadas pelos períodos de: revolução industrial, chegada da eletricidade e por fim, o surgimento da tecnologia com o avanço das comunicações digitais.

A revolução de hoje, no entanto, se difere a nível de complexidade pois interliga diferentes sistemas como explica Schwab, diretor executivo do Fórum Econômico: “A quarta revolução industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital (anterior)”.

Em resumo, o que se pode perceber é a sincronia entre tecnologias digitais, físicas e biológicas. As consequências são múltiplas, com avanços significativos em áreas que ainda soam um tanto misteriosas. Entre elas, engenharia genética, neurotecnologia e inteligência artificial.

Alguns enxergam esse momento enquanto um risco a diversos empregos que poderão ser facilmente substituídos por máquinas. Por outro lado, é importante observar as grandes evoluções e oportunidades como ressalta Thomas Philbeck, do Fórum Econômico Mundial.

Na entrevista que você pode assistir abaixo, ele explica: “Com essas novas tecnologias que são tão penetrantes, nós mudaremos a forma como pensamos sobre ser humanos e o que significa ser humano. Temos mais oportunidades e possibilidades agora do que jamais tivemos”.

 

Impactos no mercado de trabalho

De acordo com estudos da ManpowerGroup, empresa de consultoria que atua na área de recursos humanos, 65% dos empregos destinados à “Geração Z”, pessoas nascidas entre 1998 e 2010, ainda nem existem.

Em consequência, especialistas de RH concordam que as competências perenes como a criatividade, a inteligência emocional, a flexibilidade e a capacidade de aprendizagem, serão extremamente valorizadas em um cenário em que os profissionais sempre precisarão renovar seus conhecimentos de qualquer maneira.

Portanto, a quarta revolução industrial abre um leque de possibilidades em todos os aspectos de nossas vidas. Quando analisamos o futuro dos empregos, é claro que este novo modelo precisa estar conectado com as bases da educação.

E, considerando que a base da educação é anterior à escolha da profissão, o estilo de ensino-aprendizagem deve manter-se inovador tanto quanto flexível.

 

Impactos na Educação

Quando se fala sobre os impactos da quarta revolução na educação, vamos levar em conta 3 níveis de complexidade. Por que, como e o que ensinar de fato ?

 

Seres humanos X Robôs (por que ensinar ?)

O principal propósito da educação que faça sentido em meio à tecnologia avançada, é extrair o melhor dos seres humanos naquilo em que são únicos e insubstituíveis.

Como resume Jack Ma, fundador do grupo Alibaba: “Nós não podemos educar crianças para competir com máquinas”.

Hoje sabemos que muitos empregos podem ser automatizados. Este tipo de competição é no mínimo desleal, já que as máquinas sempre serão mais produtivas do que os humanos neste sentido.

De acordo com autor sobre inovação educativa, Graham Brown-Martin Following, existem 3 áreas em que os seres humanos vencem as máquinas enquanto peças-chave para o futuro da criação de empregos:

  1. Esforços criativos: tudo desde descoberta científica até escrita criativa e empreendedorismo.
  2. Interação social: os robôs simplesmente não têm o tipo de inteligência emocional dos humanos.
  3. Destreza física e mobilidade: milênios de caminhadas nas montanhas, lagos de natação e prática de dança dão aos humanos agilidade extraordinária e destreza física.

 

Análogico X Digital (como ensinar?)

Hoje, qualquer criança ou jovem do Ensino Básico é considerada nativa digital. Ou seja, elas já nasceram em meio a recursos de tecnologia e com acesso à internet em seu cotidiano.

Rapidez e quantidade de informação também influenciam na absorção de conteúdo para esses alunos. Além de muito dinâmicos, eles possuem dificuldade de manter o foco por longos períodos de tempo.

Na prática, isso significa que para acompanhar o ritmo, é essencial que as escolas agreguem formatos multimídia como se espera de um período fortemente digital. O desafio é não se limitar apenas a isso, ao associar a modernidade unicamente à tecnologia.

Para atingir esse dinamismo, não devemos descartar os contatos analógicos e físicos ligados à experiência.

Também não podemos descartar os professores enquanto ferramentas interpessoais de ensino. Na verdade, eles precisam evoluir constantemente a abordagem enquanto mediadores do ensino.

 

Metodologias Ativas e meta-aprendizagem (o que ensinar?)

Diante de um cenário de incertezas, é impossível prever quais conteúdos continuarão sendo relevantes para as crianças no futuro. Portanto as habilidades e competências que não se tornam ultrapassadas, devem receber um lugar de destaque.

Entre elas a competência de aprender a aprender, também conhecida como meta-aprendizagem. Isso porque os alunos não terão acesso a um suporte formal a todo momento, enquanto o conhecimento continuará se transformando. Sendo assim, ter um perfil independente e mais autodidata é uma necessidade!

 

A Educação e os Resultados

Ainda de acordo com Graham Brown-Martin Following: “O desmembramento do currículo e o planejamento de experiências de aprendizado que estimulem os alunos a fazer as coisas resolvendo de forma colaborativa os desafios interessantes do mundo real serão a chave para prosperar neste século. Teremos sucesso trabalhando ao lado de nossas máquinas, em vez de competir com elas, programando-as em vez de sermos programados por elas.”

Já está plantada a semente de uma educação relevante que se converte em resultados para o presente e o futuro! Porém há muito o que se fazer! De que forma a sua escola está preparada para regar esta ideia?

 

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