BNCC do Ensino Médio traz novos desafios de desenvolvimento emocional para jovens e educadores

Gestão Escolar

A Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio, que está em análise pelo Conselho Nacional de Educação desde o início de abril de 2018, vai provocar uma grande reorganização dessa etapa da Educação Básica.

Fazendo eco à reforma do Ensino Médio, o documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) manteve apenas duas disciplinas obrigatórias na área destinada aos componentes curriculares: Língua Portuguesa e Matemática. Todas as demais foram inseridas em quatro áreas do conhecimento, de forma interdisciplinar.

A intenção, segundo o MEC, é que essas disciplinas pautem o que está sendo chamado de “itinerário de aprendizagem”. Pela proposta, caberá a cada estudante escolher o caminho que quer seguir e as disciplina que vai cursar, de acordo com os interesses profissionais e a carreira que ele pretende adotar na vida adulta. O que, imediatamente, levanta uma questão de fundo:

 

Um jovem de 15 anos está pronto para escolher as disciplinas que deve cursar?

Todo jovem em idade pré-vestibular sabe bem o que a escolha de uma carreira representa. Às vésperas da decisão, a tensão e a responsabilidade da escolha aumentam o estresse e a ansiedade em meninos e meninas de 16 e 17 anos. Se a BNCC para o Ensino Médio for aprovada da maneira como foi formulada, essa tensão começará ainda mais cedo. Ao chegar ao primeiro ano do Ensino Médio, o jovem de 15 anos já será obrigado a ter em mente o caminho que pretende seguir.

Essa nova configuração, numa idade em que o jovem vive um processo de definição da sua identidade, exigirá  um trabalho extra de nós, educadores, no sentido de orientá-los em suas dúvidas e angústias.

 

Como ajudar um adolescente a definir que carreira seguir?

A resposta a essa pergunta não é nada óbvia. A definição de identidade é um processo interno, particular a cada indivíduo. O que não significa que devemos deixá-los desamparados nesse processo. O apoio de professores, coordenação pedagógica e da família é fundamental para fortalecê-los nessa caminhada.

Uma forma efetiva de ajudá-los é ter um currículo formatado para desenvolver nos jovens capacidades como as de analisar uma situação, refletir sobre um problema, encontrar soluções, parar e pensar antes de agir. Quando entende que ele tem o poder de tomar decisões conscientes e consistentes, o jovem desenvolve a segurança, a autoconfiança e passa a acreditar mais em si mesmo.

O processo de definição da identidade continuará sendo interno e particular, mas ele terá mais ferramentas para lidar com as dúvidas e angústias desse momento. Porque assim, será um jovem emocionalmente mais desenvolvido.

 

E se ele fizer as escolhas erradas?

Dar aos jovens a responsabilidade pela definição de disciplinas que querem cursar pode se revelar uma opção interessante. Afinal, tomar decisões e saber lidar com as consequências delas serão habilidades importantes para o futuro profissional e pessoal de cada um. Mas, novamente, isso não significa deixá-los totalmente sozinhos nessa escolha.

Afinal, chegar à reta final do Ensino Médio com a sensação de ter feito escolhas erradas pode se transformar numa carga de angústia, muitas vezes, insuportável. Por isso, é importante que nós, os educadores,  observemos de perto as habilidades e afinidades que cada jovem demonstra no dia a dia, e as comparemos às escolhas que ele vem fazendo.

Novamente, um currículo que fortaleça a reflexão, que estimule o jovem a compartilhar ideias e pensamentos com pares e professores, a trabalhar em grupo para estudar situações e problemas, pode favorecer decisões mais refletidas e estruturadas – e, portanto, melhores.

Isso significa que serão apenas decisões acertadas? Claro que não.

Nada impede que um jovem construa seu “itinerário de aprendizagem” voltado para uma carreira na Engenharia, por exemplo, e depois descubra, às vésperas do vestibular, que gostaria mesmo é de ser músico.

Um cenário como esse, porém, se torna improvável quando trabalhamos o desenvolvimento emocional e social dos nossos jovens. Porque eles saberão entender melhor os seus anseios e desejos na hora de fazer as escolhas. E mesmo que escolham algumas disciplinas que depois se revelem desnecessárias, eles terão tranquilidade para reconsiderar a situação. Porque saberão que, no grande tabuleiro da vida, cada movimento é feito de uma vez, e nenhuma jogada é sem volta.

 

Como desenvolver todas essas habilidades socioemocionais?

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