>
>

Consciência social na educação: o que é e como a escola desenvolve

Consciência social na educação: o que é e como a escola desenvolve

Consciência social na educação: o que é e como a escola desenvolve

Quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos já sofreram bullying. E apenas 43,2% estuda em escolas que realizam ações de prevenção pelo programa Saúde na Escola. São números alarmantes, divulgados pelo PeNSE 2024, do IBGE.

A boa notícia é que a convivência se ensina. O CASEL, modelo internacional de referência em aprendizagem socioemocional, chama essa competência de consciência social e a considera um pilar fundamental do desenvolvimento dos jovens.

Por meio de métodos e ações estruturadas, escolas podem atuar de forma proativa para desenvolver essa competência e reduzir os casos de bullying. 

O que é consciência social (e o que ela não é)

No framework CASEL (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning, ou Colaboração para o Aprendizado Acadêmico, Social e Emocional), a consciência social na educação é definida como a capacidade de considerar a perspectiva de pessoas de culturas e contextos diversos, e ter empatia com elas. 

A competência se desdobra em seis componentes, que podem ser trabalhados na escola:

  • Tomada de perspectiva;
  • Empatia;
  • Respeito aos outros;
  • Reconhecimento de normas sociais;
  • Leitura de demandas e oportunidades;
  • Agência coletiva. 

Dentro desse esquema, a empatia tem duas faces, a cognitiva e a afetiva. A empatia cognitiva é a capacidade de entender o que o outro pensa, mesmo que não concorde. Já a empatia afetiva é a capacidade de se colocar no lugar do outro. 

Quando dizemos que um estudante “age com empatia na escola”, ele está mobilizando ambas, simultaneamente.

Vale destacar que consciência social não é o mesmo que simpatia. 

Simpatia significa reagir bem a alguém de quem se gosta. A consciência social, dentro das competências socioemocionais da CASEL, vai além: é o ato de interagir harmoniosamente com alguém de quem não se gosta, ou não se compreende muito bem, respeitando-o apesar das divergências. 

Consciência social também não é o mesmo que boas maneiras. É completamente possível agir com educação e bons modos, de forma superficial, mas desprezando e excluindo o outro.

Onde a consciência social aparece na BNCC

A consciência social na educação é um componente de duas competências gerais da BNCC: Empatia e Cooperação e Responsabilidade e Cidadania, os números 9 e 10, respectivamente. É possível correlacionar ambas ao framework CASEL, com cinco pilares socioemocionais.

Empatia e Cooperação é a competência que mais se aproxima do conceito de consciência social do CASEL. 

Ela trata de “exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza“. 

Desenvolver a consciência social enquanto competência socioemocional é a chave para tal. 

A competência de Responsabilidade e Cidadania também toca no tema, de forma mais indireta. Ela determina que o estudante deve “agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários”.

Para alcançar esses objetivos, também é necessário aprender a se relacionar bem com os demais. 

A ciência por trás das competências socioemocionais

Diversas pesquisas atestam a importância das competências socioemocionais para estudantes, incluindo a empatia na escola e a consciência social.

Podemos destacar:

Como desenvolver a empatia e a consciência social na escola?

Quatro estratégias práticas aparecem com consistência na literatura pedagógica:

  • Ler e reescrever narrativas sob a ótica de outros personagens;
  • Projetos colaborativos de pesquisa de campo;
  • Círculos restaurativos aplicados após uma discussão, entre quem ofendeu, quem foi ofendido e quem presenciou o episódio;
  • Dramatização de situações de exclusão e acolhimento.

Em todas as ações, o estudante é convidado a se colocar no lugar do outro, conciliar diferentes pontos de vista e refletir sobre as diferenças.

O CASEL recomenda ainda seguir os princípios SAFE: instrução sequenciada, ativa, focada e explícita. Nesta abordagem, o professor ocupa papel central. Sem mediação adequada, os estudantes podem ter dificuldade em transferir o aprendizado para situações reais, fora do ambiente controlado das aulas.

Pesquisadores filiados à pedagogia histórico-crítica criticam a abordagem, pois creem que o socioemocional, quando tratado de forma isolada, transfere ao indivíduo a responsabilidade por problemas sistêmicos. 

No entanto, a consciência social enquanto competência socioemocional não pede que o estudante aceite passivamente essas condições. Pelo contrário: ela treina a leitura do contexto, para que o estudante entenda por que uma situação é injusta, coloque-se no papel do outro e aja de acordo. 

Como o Programa Mente Inovadora trabalha a consciência social

O programa Mente Inovadora, da Mind Lab, tem um desenho metodológico que desenvolve as competências socioemocionais de maneira generalizada, incluindo a consciência social e a empatia. 

A abordagem concentra-se em três pilares:

  • Jogos de raciocínio, inclusive os cooperativos, que estimulam o estudante a considerar o ponto de vista dos colegas para jogar bem;
  • Métodos metacognitivos, que são metáforas e ferramentas visuais que ensinam o estudante a observar o próprio pensamento e comportamento;
  • Mediação docente, conduzida pelo professor, que mostra como as situações vividas no jogo se transferem para outros contextos. 

As redes públicas que adotam o programa registram melhorias em clima escolar e em desempenho acadêmico. Escolas que desenvolvem o Mente Inovadora crescem cerca de 0,8 ponto no Ideb, quatro vezes mais do que a média nacional.

Perguntas frequentes sobre a consciência social

Consciência social é o mesmo que empatia? 

Não exatamente! A empatia é um dos seis componentes da consciência social, ao lado de tomada de perspectiva, respeito aos outros, leitura de normas sociais diversas, leitura de demandas situacionais e agência coletiva.

Em quais etapas de ensino a consciência social pode ser trabalhada? 

Da Educação Infantil ao Ensino Médio, com estratégias adaptadas à idade. Uma criança pequena começa pelo reconhecimento de emoções em histórias, enquanto um adolescente já pode discutir normas sociais e aprender sobre estruturas de poder.

Como uma escola pode acompanhar a evolução dessa competência? 

Por meio de instrumentos formativos, observação sistemática do professor mediador e indicadores de clima escolar, como incidência de conflitos e ocorrências disciplinares, sem substituir avaliação qualificada por um número isolado.

Trabalhe a consciência social com intencionalidade

Para desenvolver habilidades como empatia, colaboração e as demais competências que compõem a consciência social, promova ações concretas e intencionais na escola.

O Mente Inovadora é uma proposta metodológica sólida e testada, implementada em redes de ensino de todas as regiões do país. Conheça o método Mind Lab em detalhes!

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar